A Polícia Federal revelou o envolvimento direto de servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em um esquema fraudulento de descontos indevidos em benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões. A operação, batizada de Falso Consignado, apura uma rede que atuava incluindo serviços e empréstimos não autorizados na folha de pagamento dos beneficiários.
De acordo com os investigadores, os próprios servidores federais forneciam acesso privilegiado ao sistema do INSS para que empresas parceiras pudessem inserir os descontos fraudulentos. As vítimas, muitas vezes idosos, sequer sabiam que estavam com valores sendo subtraídos mensalmente de seus benefícios.
A apuração começou após um grande volume de denúncias registradas por beneficiários que percebiam descontos desconhecidos em seus extratos. A partir disso, a PF, em conjunto com a CGU (Controladoria-Geral da União) e o Ministério da Previdência, iniciou o cruzamento de dados e identificou acessos suspeitos nos sistemas internos.
Interceptações telefônicas, análise de documentos e quebras de sigilo telemático revelaram a participação ativa de servidores na liberação de contratos falsos. Em troca, eles recebiam propina ou vantagens indevidas. Entre os serviços descontados, constam seguros, clubes de benefícios e empréstimos consignados fantasmas.
Alguns servidores já foram afastados e outros são alvos de processos administrativos e ações judiciais. A Polícia Federal não descarta novas prisões e afirma que o prejuízo aos cofres públicos pode ultrapassar os R$ 20 milhões.









