Manaus (AM) – Durante a sessão plenária da Câmara Municipal de Manaus (CMM) desta terça-feira (20), o vereador Roberto Sabino (Republicanos) defendeu que o poder público invista mais em igrejas evangélicas como forma de apoio a pessoas com transtornos mentais. Segundo o parlamentar, há casos em que essas pessoas estariam “sendo usadas espiritualmente” e “dominadas por forças sobrenaturais”.
A declaração foi feita durante um debate iniciado pelo vereador Raiff Matos (PL), que levou à tribuna um vídeo de um homem, aparentemente em situação de rua e com sinais de sofrimento psíquico, empurrando uma idosa na frente de um carro na zona Leste da capital.
Raiff utilizou o caso para criticar a falta de políticas públicas voltadas à saúde mental e cobrou uma resposta mais estruturada da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), além da ampliação da rede de acolhimento social. O vereador alertou que a cidade carece de leitos psiquiátricos, unidades especializadas e integração entre os serviços de saúde, assistência social e segurança pública.
Em resposta, Sabino apontou que, além das medidas assistenciais, seria necessário considerar a atuação das igrejas. Para ele, essas instituições exercem um papel importante no acolhimento de pessoas em sofrimento:
“Elas estão sendo dominadas por forças espirituais. O poder público deveria investir mais nas igrejas evangélicas, porque é lá que elas encontram libertação”, afirmou.
A fala gerou reações divergentes nas redes sociais. Enquanto alguns apoiaram a visão do vereador, outros defenderam que a saúde mental deve ser tratada como questão de saúde pública, com base em diagnóstico médico, tratamento psicológico e estrutura institucional.
Atualmente, Manaus enfrenta dificuldades estruturais no atendimento a pessoas com transtornos mentais, com escassez de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e poucas alternativas para acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Especialistas alertam que o debate sobre saúde mental exige equilíbrio entre ações clínicas, políticas públicas e iniciativas comunitárias — mas reforçam que nenhuma delas deve substituir o tratamento médico adequado, garantido por lei.
A CMM ainda deve retomar a discussão em novas sessões, diante da complexidade do tema e do crescimento de casos envolvendo pessoas em sofrimento psíquico nas ruas da cidade.




