Manaus | 6 de agosto de 2026 | 07:47:24

Tinha uma pedra no meio do caminho

O pedido de renúncia feito por uma servidora concursada, com vasta experiência e reconhecidamente competente, à titularidade de uma delegacia tão importante para a sociedade como é a da Proteção à Crianças e Jovens, diz muito mais sobre como o poder atinge instituições sólidas do que especificamente às duas personagens envolvidas.

A função precípua de um delegado (a) de polícia é conduzir a investigação de crimes, como homicídios, roubos, furtos, estupros, entre outros, além de ser responsável pelos inquéritos policiais para apurar responsabilidades criminais, enquanto que as atribuições elementares de um (a) deputado (a) estadual é legislar em favor do povo, e fiscalizar atos do governador.

O perigo na relação entre essas duas figuras extremamente importantes para uma sociedade é quando elas se encontram em terreno que deveria ser de fato apenas de uma.

A ingerência de uma pessoa que não está preparada para lidar com questões sensíveis de uma investigação e condução do trabalho técnico, pode se tornar um obstáculo.

A prerrogativa tem que ser respeitada para que a responsabilidade não precise ser dividida. A apuração de notícia crime, a condução dos atos de investigação, a possibilidade de efetivar prisão, e, também, a necessária prestação de esclarecimentos à população recai sobre o cargo policial, e não parlamentar.

A presença de uma figura política dentro de um ambiente necessariamente restrito pode abrir feridas difíceis de serem cicatrizadas. Para desempenhar o seu ofício de maneira íntegra, sem amarras, e com total liberdade, os servidores públicos precisam estar seguros e confortáveis, e só entre “os seus” que isso é possível de acontecer.

Mas como vetar a presença de um (a) “representante eleito (a) pelo povo”? Esse é o xis da questão. De quem seria a prerrogativa para impedir a inconveniente presença?

O fato é que cada um deveria entender a sua responsabilidade, e tomar conta do seu próprio umbigo, porque, parafraseando o dito popular: quem mexe na gaveta dos outros acaba deixando a sua exposta.

E para aqueles que buscam o destaque é bom sempre lembrar lições de Nicolau Maquiavel.. “alguns meios trazem a conquista do poder, mas não a glória”.

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