Brasília – A sessão da CPMI do INSS, realizada nesta quinta-feira (16), foi marcada por clima tenso e troca de acusações entre parlamentares da base governista e da oposição. O principal foco do embate foi a votação de um requerimento que pedia a convocação de Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para prestar esclarecimentos sobre suspeitas envolvendo fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Durante o debate, os ânimos se exaltaram entre o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, e o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso. Sóstenes acusou parlamentares petistas de protegerem “criminosos que lesam aposentados” e chamou os colegas de “hipócritas”. Em resposta, Randolfe classificou as declarações como “infundadas e ofensivas”, elevando ainda mais a tensão no plenário.
Bate-boca político em meio à investigação de fraudes
A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) foi instaurada com o objetivo de investigar esquemas de fraudes e descontos indevidos aplicados sobre benefícios previdenciários, especialmente de aposentados e pensionistas do INSS. A comissão ganhou força após a deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura o envolvimento de entidades e agentes públicos em fraudes contra beneficiários da Previdência.
A convocação de Frei Chico foi defendida por membros da oposição sob a justificativa de que ele teria relação com figuras ligadas a entidades suspeitas. Parlamentares da base do governo, por outro lado, consideraram a convocação uma tentativa de politizar a comissão e de atacar o presidente Lula por meio de seus familiares, sem apresentar provas concretas de envolvimento.
Depoimentos expõem atuação de entidade investigada
Além do confronto entre os líderes partidários, a sessão contou com depoimentos relevantes para o andamento das investigações. Um dos destaques foi a oitiva de Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil), uma das entidades apontadas pela Polícia Federal como beneficiária de descontos indevidos realizados diretamente nos benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas.
Segundo Cícero, a Conafer atuava apenas como representante de agricultores e negou qualquer irregularidade. No entanto, investigações em curso indicam que a entidade teria lucrado milhões com parcerias que resultaram em descontos automáticos e não autorizados nos contracheques de milhares de beneficiários.
Avanço da investigação
A CPMI deve continuar com depoimentos e análises de documentos nas próximas semanas. O relator da comissão afirmou que o foco seguirá na apuração de crimes praticados contra aposentados, e não em disputas político-partidárias.
Nos bastidores, a tentativa de convocação de Frei Chico é vista como parte de uma escalada da oposição para atingir o governo Lula, enquanto governistas acusam a oposição de usar a comissão para fins eleitorais.





