Em meio a um cenário de crescente tensão entre os Poderes, a Avenida Paulista foi tomada neste domingo (6) por uma multidão vestida de verde e amarelo em um ato que vai além da defesa da anistia aos presos do 8 de Janeiro: tornou-se um grito político por liberdade e um recado direto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso.
Organizado pelo pastor Silas Malafaia e contando com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a manifestação reuniu milhares de pessoas desde as primeiras horas da manhã e teve início oficial às 14h, em frente ao Masp, com a execução do Hino Nacional. Bolsonaro chegou pouco antes, às 13h45, cercado por aliados de peso.
Sete governadores de diferentes estados compareceram ou manifestaram apoio ao ato: Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ratinho Jr. (PR), Jorginho Mello (SC), Wilson Lima (AM), Ronaldo Caiado (GO) e Mauro Mendes (MT). Juntos, eles representam uma fatia expressiva do eleitorado brasileiro e reforçaram a articulação política em torno do projeto de anistia. Apenas o governador Cláudio Castro (RJ) cancelou sua participação por conta das fortes chuvas no estado.
A manifestação também serviu como reação ao momento delicado vivido por Bolsonaro, que se tornou réu no STF sob acusação de tentativa de golpe de Estado. A resposta veio em forma de multidão: cartazes com nomes e rostos de presos do 8 de Janeiro, bandeiras do Brasil e faixas pedindo liberdade encheram a avenida em um clima de resistência.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos destaques do palanque improvisado em um caminhão de som. Em discurso inflamado, criticou o ministro Alexandre de Moraes, chamando-o de “covarde” e denunciando o que classificou como “abusos de autoridade”.
O símbolo do batom ganhou protagonismo no ato, estampado em faixas e balões, em referência à cabeleireira Débora Rodrigues, presa por dois anos por escrever “perdeu, mané” com batom na estátua “A Justiça”, e que agora enfrenta a possibilidade de ser condenada a 14 anos de prisão, segundo voto de Moraes.
Mais do que um pedido por anistia, o ato deste domingo demonstrou que a direita permanece mobilizada e que, mesmo fora do Palácio do Planalto, Bolsonaro ainda é capaz de convocar multidões. A Paulista não foi apenas palco de manifestações — foi o termômetro de uma força política que resiste, reorganiza-se e mira diretamente os centros de poder.





