Manaus | 6 de agosto de 2026 | 06:17:37

O professor que desaprendeu

A opinião de um representante da sociedade que o elegeu para defender seus direitos e lutar por melhorias tem alcance superior ao de uma pessoa “comum”. Quando o assunto é relacionado à crianças e jovens a importância pesa também. Agora, se juntarmos os dois, a manifestação em plenário de um vereador sobre a alimentação de milhares de alunos da rede pública de ensino, isso não apenas repercute como também ensina. Literalmente ensina, porque o vereador em questão é professor – ao menos se intitula.

Mas diferentemente do que deveria, as lições desse “professor” é do que não se pode fazer. Ao querer defender o prefeito de Manaus, David Almeida, o vereador Prof. Samuel não só normalizou o fato da merenda escolar oferecida aos alunos da rede pública municipal de ensino ser bolacha e água, como bradou aos quatro cantos que “merenda é merenda, não é almoço. Merenda é merenda, eu não posso querer botar, encher de proteínas e tal e tal, senão, o menino [aluno] chega em casa, ele nem almoça”. Isso pode ser considerado um dos maiores vexames já produzidos pelos vereadores da Câmara Municipal de Manaus, mesmo já tendo tantas situações constrangedoras naquela casa de leis.

Prof. Samuel parece viver num “metaverso”, descolado de uma realidade que todos os dias bate à porta daqueles que não colocam uma venda em seus olhos. A realidade da criança manauara é sabida pela maioria dos moradores da capital amazonense e, arrisco a dizer, por 100% dos vereadores, se não, deveria. Para o amazonense, a nomenclatura “merenda” é apenas um jeito de diferenciar o horário que é servida a refeição, pois grande parte das nossas crianças não tem o que comer em casa, e a importância do que é servido nas escolas ganha ainda mais relevância.

Sabendo disso, dá pra entender e, lamentar, as razões de uma criança da zona norte de Manaus de 8 anos vir a desencarnar por causa de uma gripe que evoluiu para uma pneumonia em poucos dias. A desnutrição infantil enfraquece o sistema imunológico, tornando as crianças mais suscetíveis a contrair doenças comuns, como diarreia, pneumonia e malária, que podem ser fatais se não tratadas adequadamente.

O tal professor parece não ligar para isso, e segue a sanha de defender até os erros daquele para quem prometeu a sua fidelidade, e esquece de quem o colocou lá, que acreditou em sua candidatura e em suas promessas. Mas querer ensinar o certo para um “magistrado” parece não ser tão simples como ensinar álgebra para um jovem.

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