Manaus | 4 de junho de 2026 | 06:11:52

Manaus testa modelo de moradia popular com biblioteca e mobília inclusa

Prefeito de Manaus, David Almeida, vistoriando obras do habitacional no conjunto Parque das Tribos. foto: Dhyeizo Lemos/Semcom

O conceito de “casa popular” no Brasil costuma estar atrelado ao básico do básico: quatro paredes, um teto e uma lista de gastos imediatos para o novo proprietário. No entanto, um projeto que ganha corpo em Manaus está tentando quebrar essa lógica. Nesta terça-feira (24), a prefeitura apresentou os novos complexos do programa Minha Casa, Minha Vida, que trazem diferenciais raros no setor público: unidades semimobiliadas e infraestrutura de lazer digna de condomínios particulares.

Os empreendimentos, localizados na zona Oeste da capital com destaque para o Parque das Tribos, Avenida do Turismo e Parque Cidadão 10, somam nove conjuntos residenciais. O que chama a atenção não é apenas o volume de moradias, mas a qualidade da entrega. Somente no Parque das Tribos, 576 apartamentos já estão prontos para receber as primeiras famílias em março.

O fim da “caixa de sapato”

Com 45 metros quadrados, as unidades superam a metragem média do padrão nacional do programa federal. Mas o verdadeiro divisor de águas está no que o morador encontrará ao abrir a porta pela primeira vez. Diferente do modelo tradicional, onde as famílias costumam se mudar apenas com o essencial, os novos apartamentos em Manaus serão entregues equipados com:

Kit Eletro: Televisão, geladeira e fogão.

Mobiliário: Camas, colchões, ventilador e roupeiro.

Eficiência Térmica: Janelas com sistema de sombreamento e banheiros adaptados com acessibilidade.

Urbanismo com “cara de bairro”

A crítica histórica aos conjuntos habitacionais populares é o isolamento social e a falta de espaços de convivência. O projeto coordenado pelo prefeito David Almeida tenta sanar essa lacuna integrando o lazer ao desenho urbano.

Os novos residenciais contam com área social completa: churrasqueira, quadra poliesportiva e salão gourmet. O destaque inédito, porém, é a exigência formal de uma biblioteca comunitária dentro de cada conjunto, visando transformar o condomínio em um espaço de educação e integração.

“Estamos demonstrando que é possível elevar o padrão da habitação popular no Brasil. Não se trata apenas de construir apartamentos, mas de planejar espaços com infraestrutura social e dignidade”, afirmou o prefeito durante a vistoria das obras.

Com mais de 2 mil pessoas beneficiadas diretamente nesta fase, o modelo de Manaus se posiciona como um experimento de urbanismo social que vai além do déficit habitacional, focando na qualidade de vida a longo prazo e na redução do impacto financeiro inicial para as famílias de baixa renda.

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