A possibilidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro ser condenado nos processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) tem gerado uma série de análises nos bastidores do governo federal. Um dos cenários considerados mais prováveis por interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o de que, caso a condenação ocorra, Bolsonaro não cumpra pena em regime fechado, mas sim em prisão domiciliar desde o início.
Esse entendimento é sustentado por três principais fatores: as condições de saúde delicadas do ex-presidente, precedentes no STF e a mudança de tom adotada por sua defesa.Bolsonaro passou por várias cirurgias após o atentado a faca em 2018, que comprometeu parte do seu intestino. Desde então, já foi submetido a diversos procedimentos, incluindo internações no exterior. Para ministros da Corte e assessores jurídicos próximos ao Planalto, esse histórico já o colocaria no perfil de réus que costumam ter o regime domiciliar autorizado por motivos médicos.
Além disso, o caso do ex-deputado federal Nelson Meurer, condenado na Operação Lava Jato e que morreu cumprindo pena em presídio, ainda repercute nos bastidores do Judiciário. Na ocasião, o Supremo foi duramente criticado por negar a transferência de Meurer para casa, mesmo diante de seu frágil estado de saúde. A situação hoje é vista como uma advertência: o STF não quer repetir o mesmo erro com um ex-presidente.
Outro ponto que reforça a leitura é a estratégia adotada pela defesa de Bolsonaro nos últimos meses. Em vez de ataques e confrontos, o ex-presidente tem adotado uma postura mais moderada, inclusive pedindo desculpas públicas ao ministro Alexandre de Moraes, relator de diversos inquéritos que envolvem o ex-chefe do Executivo.
Para assessores jurídicos do governo, esse comportamento não é apenas simbólico, mas pode ser parte de uma movimentação prévia para sustentar um pedido de prisão domiciliar.
Apesar da expectativa de punição, a leitura majoritária no núcleo jurídico do Planalto é a de que o STF buscará uma saída que una firmeza institucional e cautela humanitária, evitando desgastes tanto internos quanto internacionais.





