Manaus | 4 de junho de 2026 | 10:31:21

Esquerda vira o jogo na França mas não forma maioria

A coalizão de esquerda Nova Frente Popular surpreendeu ao conquistar o maior número de assentos na Assembleia Nacional da França nas eleições legislativas, porém sem a maioria necessária para governar sozinha. Inesperadamente, a expectativa de vitória da extrema direita foi evitada através de uma estratégia de união entre a Nova Frente Popular (NFP), uma ampla coalizão que vai desde social-democratas até anticapitalistas, que conquistou 28% dos votos no primeiro turno, e a aliança de Macron com 20%. Juntos, formaram uma “frente republicana”.

Essa tática envolveu a retirada estratégica de candidatos republicanos menos viáveis nas circunscrições onde ambas as alianças avançaram para o segundo turno, consolidando-se contra candidatos da extrema direita em posições fortes. O resultado foi efetivo: no segundo turno, realizado neste domingo (07) com quase 60% de participação eleitoral, as três maiores bancadas da nova legislatura foram distribuídas da seguinte maneira:

– Nova Frente Popular (esquerda): 182 assentos;

– Juntos (coalizão governista de centro): 168 assentos;

– Reunião Nacional (extrema direita): 143 assentos.

Apesar do crescimento significativo no número de assentos conquistados pela Reunião Nacional, que subiu de 88 para 143, foi uma decepção para a extrema direita. No primeiro turno, apenas uma semana antes, o partido de Marine Le Pen liderou todas as outras forças políticas, chegando a vislumbrar uma maioria absoluta na Assembleia.

Marine Le Pen declarou: “Nossa vitória foi apenas adiada”, após as pesquisas de boca de urna apontarem a derrota de seu partido.

O primeiro-ministro da França, Gabriel Attal, do partido Juntos, também reconheceu a derrota e anunciou que colocaria seu cargo à disposição nesta segunda-feira (8).

A indicação de um novo primeiro-ministro será responsabilidade do presidente Emmanuel Macron, com base nos resultados dessas eleições. A data para essa indicação ainda não foi definida.

Esquerda vai precisar de aliança para governar

Embora ainda não tenham batido o martelo sobre a união, líderes do bloco esquerdista indicaram que poderiam se aliar ao centro para chegar aos 289 assentos necessários para ter maioria.

Após a Reunião Nacional, de Le Pen, conquistar 33% dos votos no primeiro turno, a Nova Frente Popular e o Juntos formaram uma espécie de cordão sanitário para impedir que a extrema direita chegasse ao poder.

A viabilidade de um governo juntando as duas forças, entretanto, ainda é incerta. Ambos os blocos nutrem desavenças profundas em determinados tópicos, como a reforma da Previdência francesa, por exemplo.

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