Manaus | 23 de julho de 2026 | 13:28:36

Dona das lojas Arezzo em Manaus sob investigação após descoberta de ‘cocaína negra’ em sua mansão

A operação policial que encontrou 56 quilos de cocaína, incluindo a sofisticada “cocaína negra”, em uma mansão de alto padrão no bairro Ponta Negra, trouxe à tona tanto a sofisticação do tráfico quanto questões jurídicas sobre a responsabilidade de proprietários de imóveis usados para crimes.

O imóvel pertence à empresária Liege Aurora Pinto da Cruz, de 74 anos, que é proprietária das franquias da loja Arezzo em Manaus. Consultas públicas confirmam que Liege é sócia-administradora da franquia na capital amazonense.

A ação, conduzida pelo Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), começou em 17 de outubro, quando foram encontrados inicialmente 16 quilos de cocaína. Um caderno com anotações indicando 40 quilos escondidos em cadeiras e quadros levou os policiais a retornar ao local com cães farejadores. Durante essa segunda busca, foram descobertos compartimentos falsos em móveis, que ocultavam a “cocaína negra”, versão adulterada com carvão ativado para reduzir odor e enganar testes rápidos, dificultando a detecção, inclusive por cães treinados. O carregamento tinha como destino final a Austrália.

Liege prestou depoimento à polícia e afirmou que a droga estava em um anexo destinado à moradia de caseiros peruanos, que trabalham na residência há mais de dez anos. A defesa da empresária ressalta que ela frequentava o imóvel apenas nos fins de semana e estava fora do país no momento da operação.

O caso levanta questões jurídicas importantes. Advogados especialistas explicam que, mesmo sem envolvimento direto, a Justiça pode investigar o proprietário do imóvel para apurar possível conivência ou negligência, podendo resultar em responsabilização civil e, em casos específicos, criminal, dependendo das provas encontradas.

Além do aspecto legal, a operação evidencia a sofisticação crescente do tráfico de drogas, que utiliza técnicas como compartimentos falsos e adulteração da substância para driblar a fiscalização policial.

Os caseiros permanecem presos, enquanto as autoridades continuam investigando o grau de envolvimento da proprietária e demais responsáveis no esquema criminoso.



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com informações do portal Radar Amazônico

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