Manaus | 3 de junho de 2026 | 03:48:33

“Central do Golpe”: Polícia desmonta megaestrutura com 60 pessoas aplicando fraudes em Guarulhos

escritório. gettyimages

Uma operação da Polícia Civil de São Paulo desmontou, nesta semana, uma verdadeira “central do golpe” que funcionava em um prédio comercial no Centro de Guarulhos, na Grande São Paulo. No local, funcionavam sete empresas falsas, com cerca de 60 pessoas atuando em esquema profissional de fraudes, com divisão de funções, metas e até roteiros de atendimento.

A quadrilha aplicava golpes usando centrais telefônicas clandestinas, com atuação semelhante à de call centers comuns. Os criminosos se passavam por funcionários de bancos, órgãos públicos e empresas conhecidas, convencendo as vítimas a fornecer dados sensíveis e até entregar aparelhos celulares.

Estrutura digna de empresa

De acordo com a Polícia Civil, os golpistas mantinham computadores, planilhas de metas, scripts de ligação e até crachás falsos para simular um ambiente de atendimento real. Havia divisões específicas para diferentes tipos de golpes — desde falsa regularização de empréstimos até desbloqueios de cartões e renegociação de dívidas.

“Era um crime extremamente organizado. Eles operavam como uma empresa, com metas diárias, líderes de equipe e argumentação treinada”, explicou o delegado Álvaro Lopes Júnior, responsável pelo caso.

Vítimas de todo o país

A investigação teve início após uma das vítimas denunciar que havia sido convencida a entregar o celular a um suposto técnico de banco, sob a justificativa de atualização do aplicativo. Após o golpe, a conta foi esvaziada. O prejuízo estimado somente nesse caso ultrapassou R$ 60 mil.

Com a quebra de sigilo digital e o avanço da investigação, a polícia chegou ao prédio onde a quadrilha operava. No local, foram apreendidos dezenas de notebooks, celulares, cadernos de anotação e outros materiais usados para aplicar os golpes. O prejuízo total, por enquanto, já ultrapassa R$ 744 mil, mas pode ser muito maior, já que novas vítimas estão sendo identificadas.

Prisões em flagrante

Ao todo, 60 pessoas foram presas em flagrante por estelionato, associação criminosa e falsidade ideológica. A maioria dos detidos já tinha passagem pela polícia. Alguns confessaram que recebiam comissões por golpe aplicado e bônus conforme o “desempenho”.

A polícia agora trabalha para identificar os líderes da organização criminosa e entender se há ramificações em outros estados. O material apreendido está sendo analisado e pode ajudar a rastrear contas bancárias usadas para lavar o dinheiro das vítimas.

Como se proteger

As autoridades alertam para golpes semelhantes e reforçam que nenhuma instituição financeira solicita entrega de celular, dados pessoais completos por telefone ou acesso remoto a dispositivos.

Dicas de segurança:

Nunca entregue seu celular a desconhecidos;

Não clique em links suspeitos enviados por SMS ou WhatsApp;

Ligue diretamente para o número oficial do seu banco, caso receba uma ligação duvidosa;

Ative a verificação em duas etapas em apps e contas bancárias;

Denúncias podem ser feitas de forma anônima à Polícia Civil ou por meio do Disque Denúncia 181.

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