A cidade de São José da Varginha, no sul de Minas Gerais, passará por eleições suplementares após a Justiça Eleitoral indeferir a candidatura do prefeito eleito, José Alves de Carvalho Neto, mais conhecido como “Netinho” (PP). Ele teve todos os seus votos anulados por estar legalmente impedido de exercer cargos públicos devido a uma condenação por tráfico de drogas.
Netinho foi condenado em 2015 por envolvimento no transporte de seis toneladas de maconha, crime cometido entre 2012 e 2013. A pena de três anos e oito meses de prisão foi cumprida até 2019. Com isso, o político permanece inelegível por oito anos após o cumprimento da sentença, conforme a Lei da Ficha Limpa.
Mesmo com o histórico criminal, Netinho conseguiu disputar as eleições de 2024 com o registro de candidatura sub judice ou seja, sob avaliação judicial. Ele venceu o pleito com 1.565 votos, o equivalente a quase 47% dos votos válidos, mas a Justiça Eleitoral anulou a votação devido à sua inelegibilidade.Com a anulação, o segundo colocado, José Evandro (PRD), que obteve 1.084 votos, não pode assumir automaticamente o cargo, já que não atingiu a maioria absoluta exigida. O terceiro candidato, Luciano Ferreira (PSB), ficou com 459 votos. Diante disso, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) determinou a realização de um novo pleito.
A data da eleição suplementar ainda será anunciada pelo TRE-MG. Enquanto isso, o município segue sob gestão provisória da Câmara Municipal ou de um interventor definido pelo tribunal, até que os moradores escolham um novo prefeito nas urnas.
O caso reacende o debate sobre os filtros do sistema eleitoral e a necessidade de maior rigor nas candidaturas, especialmente em cidades pequenas, onde o impacto de decisões judiciais é ainda mais direto na governabilidade local.





