Manaus | 23 de julho de 2026 | 13:46:09

Assédio: em 6 anos, cresce em 510% as denúncias em órgãos federais

As denúncias de assédio em órgãos federais no Brasil cresceram de forma alarmante nos últimos seis anos. De acordo com dados do Painel de Ouvidorias da Controladoria-Geral da União (CGU), o número de registros aumentou 510% entre 2019 e 2024. Enquanto em 2019 foram feitas 857 denúncias, sendo 709 de assédio moral e 148 de assédio sexual, no ano passado esse número saltou para 5.225, das quais 4.349 referem-se a assédio moral e 880 a assédio sexual.

O crescimento mais expressivo foi no assédio moral, que atingiu um recorde em 2024, totalizando 4.349 denúncias, o que representa um aumento de 510% em comparação com 2019. Já o assédio sexual registrou um aumento de 494% no mesmo período, apesar de ter tido uma leve redução em relação a 2023, ano que contabilizou 920 queixas – o maior número da série histórica.

A defensora pública Carolina Castelliano explica que o assédio sexual é mais facilmente conceituado devido à sua tipificação criminal no Brasil. “Por ele ter uma legislação penal, que prevê inclusive a conduta, é muito mais fácil conseguirmos conceituá-lo. Basicamente, configura-se assédio sexual quando há um constrangimento de alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual”, detalha Castelliano.

No caso do assédio moral, a ausência de uma legislação federal específica e abrangente acaba dificultando a definição precisa da conduta e suas consequências jurídicas. “Ainda há uma lacuna na legislação que unifique e sistematize a punição desse tipo de assédio, o que pode gerar incerteza na aplicação da lei”, pontua a defensora.

A ouvidora-geral da União, Ariana Frances, destaca que o aumento das denúncias pode ser atribuído a diversos fatores, incluindo a melhoria na comunicação do governo federal sobre os canais de denúncia e a proteção do denunciante. “Hoje há mais clareza sobre como denunciar e mais garantias para que as vítimas sejam protegidas, o que incentiva um maior número de registros”, afirma Frances.

O cenário indica um avanço na conscientização e na busca por justiça por parte das vítimas, mas também evidencia a necessidade urgente de medidas mais eficazes para coibir essas práticas dentro dos órgãos federais.

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