MANAUS – A estrutura precária que marcou a Feira Municipal do Mundo Novo por quase três décadas deu lugar, nesta quinta-feira (26), a um espaço totalmente reformulado. Localizada no bairro Nova Cidade, na Zona Norte, a unidade passou por uma reconstrução que sinaliza uma tentativa de profissionalizar o comércio de bairro, integrando o ponto de venda a um novo projeto de “cinturão produtivo” que pretende introduzir o café mecanizado na capital amazonense.
A intervenção no Mundo Novo foi profunda: o espaço, que operava no improviso há 28 anos, agora conta com 18 boxes padronizados, novos sistemas elétricos e hidráulicos, além de melhorias de acessibilidade e banheiros adaptados. Para os permissionários, a mudança vai além da estética. “Essa aqui é a nossa casa. Sem esse espaço estruturado, não temos como garantir o sustento das nossas famílias”, afirma Pedro Antônio Casário, presidente da comissão gestora da feira.
Do balcão ao campo: A aposta no café
Durante a entrega da feira, a Secretaria Municipal de Agricultura (Semacc) detalhou a estratégia de integrar o comércio varejista à produção primária local. O plano envolve a implantação dos primeiros 10 hectares de café mecanizado em Manaus.
A ideia é transformar o perfil do produtor do entorno da cidade. Áreas que antes produziam em apenas 500 metros quadrados estão sendo mecanizadas para atingir até 3 mil metros quadrados. “Estamos implantando a cultura do café para ampliar o valor agregado e aumentar a renda desses agricultores”, explicou o prefeito David Almeida, ressaltando que a estratégia foca na recuperação de áreas degradadas e assistência técnica permanente.
Logística de Abastecimento
A profissionalização das feiras faz parte de uma engrenagem que tenta conectar as pontas da economia local:
Produção: Recuperação de solos e mecanização para aumentar a escala.
Escoamento: Integração com programas de merenda escolar e aquisição de alimentos.
Venda Direta: Reforma das feiras para oferecer um ambiente salubre ao consumidor e ao feirante.
Metas de Gestão
A Secretaria de Agricultura reforçou que o volume de reformas e ações no setor informal busca tirar o atraso de décadas sem investimentos significativos em infraestrutura de abastecimento. Segundo dados consolidados da execução do plano de governo municipal, cerca de 40% das metas estabelecidas já foram cumpridas em pouco mais de um ano, com a projeção de alcançar 80% de execução até o final de 2026.
O desafio agora reside na manutenção desses novos espaços e na viabilidade técnica do café em solo manauara, uma cultura que exige manejo rigoroso para competir com grãos vindos de outras regiões do país.





