Manaus | 3 de junho de 2026 | 02:35:00

Impasse na BR-319: Senadores reagem contra suspensão de obras e denunciam “isolamento humanitário” do Amazonas

Edilson Rodrigues/Agência Senado

BRASÍLIA – O sonho de tirar o Amazonas do isolamento terrestre sofreu um novo e duro golpe judicial, inflamando os ânimos no Senado Federal. A decisão da 7ª Vara de Meio Ambiente da Justiça Federal, que suspendeu os editais de obras no polêmico “trecho do meio” da BR-319, foi recebida com indignação por parlamentares nesta terça-feira (28/04).

A liminar, concedida pela juíza Mara Elisa Andrade a pedido da ONG Observatório do Clima, trava por 70 dias os pregões do Dnit que somam R$ 678 milhões. Para os senadores amazonenses, a medida não é apenas uma questão ambiental, mas um atentado contra a logística e a dignidade de mais de 2,5 milhões de pessoas.

“Estupefato”

O senador Eduardo Braga (MDB) não poupou críticas à atuação da organização que motivou a suspensão. Classificando o Observatório do Clima como uma “holding do clima” financiada por capital estrangeiro, Braga destacou que a BR-319 é a única via capaz de socorrer o estado durante as crises de estiagem.

“A dependência exclusiva dos rios deixa o Amazonas e Roraima em uma situação de vulnerabilidade extrema. Essa decisão pode comprometer todo o calendário de obras de 2026 e manter nossa população refém do isolamento”, alertou o senador.

Apelo ao CNJ

Já o senador Omar Aziz (PSD) subiu o tom, classificando a decisão como “equivocada” e “desumana”. Aziz defendeu que a questão ambiental já foi pacificada pelo Congresso Nacional através de legislação específica e fez um apelo direto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que o caso seja revisado.

A suspensão ocorre em um momento crítico, apenas 24 horas antes das licitações previstas para os dias 29 e 30 de abril. Enquanto a Justiça vê indícios de irregularidades no enquadramento das obras, os representantes do Amazonas afirmam que a lei aprovada em 2025 dá segurança jurídica total para que as máquinas comecem a trabalhar.

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