BRASÍLIA – O sonho de tirar o Amazonas do isolamento terrestre sofreu um novo e duro golpe judicial, inflamando os ânimos no Senado Federal. A decisão da 7ª Vara de Meio Ambiente da Justiça Federal, que suspendeu os editais de obras no polêmico “trecho do meio” da BR-319, foi recebida com indignação por parlamentares nesta terça-feira (28/04).
A liminar, concedida pela juíza Mara Elisa Andrade a pedido da ONG Observatório do Clima, trava por 70 dias os pregões do Dnit que somam R$ 678 milhões. Para os senadores amazonenses, a medida não é apenas uma questão ambiental, mas um atentado contra a logística e a dignidade de mais de 2,5 milhões de pessoas.
“Estupefato”
O senador Eduardo Braga (MDB) não poupou críticas à atuação da organização que motivou a suspensão. Classificando o Observatório do Clima como uma “holding do clima” financiada por capital estrangeiro, Braga destacou que a BR-319 é a única via capaz de socorrer o estado durante as crises de estiagem.
“A dependência exclusiva dos rios deixa o Amazonas e Roraima em uma situação de vulnerabilidade extrema. Essa decisão pode comprometer todo o calendário de obras de 2026 e manter nossa população refém do isolamento”, alertou o senador.
Apelo ao CNJ
Já o senador Omar Aziz (PSD) subiu o tom, classificando a decisão como “equivocada” e “desumana”. Aziz defendeu que a questão ambiental já foi pacificada pelo Congresso Nacional através de legislação específica e fez um apelo direto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que o caso seja revisado.
A suspensão ocorre em um momento crítico, apenas 24 horas antes das licitações previstas para os dias 29 e 30 de abril. Enquanto a Justiça vê indícios de irregularidades no enquadramento das obras, os representantes do Amazonas afirmam que a lei aprovada em 2025 dá segurança jurídica total para que as máquinas comecem a trabalhar.






Uma resposta
Estou de acordo com os senadores. Existe alguma coisa muito estranha por trás disso.