Manaus | 30 de julho de 2026 | 21:22:22

Silicone industrial continua sendo usado de forma clandestina no Brasil e representa risco extremo à vida

Apesar das campanhas de conscientização e da proibição da Anvisa, o uso do silicone industrial para fins estéticos segue sendo uma prática recorrente em clínicas clandestinas e por aplicadores não autorizados no Brasil. O produto, que não tem liberação para uso médico, é altamente tóxico e pode provocar danos irreversíveis à saúde, e até a morte.

O silicone industrial é um composto químico utilizado em indústrias mecânicas e de vedação. Por ser barato e de fácil acesso no mercado paralelo, ele acaba sendo aplicado ilegalmente como uma alternativa estética para aumento de volume nos glúteos, coxas, panturrilhas e outras regiões do corpo.

Segundo especialistas em cirurgia plástica e medicina legal, esse tipo de silicone, quando injetado no corpo humano, pode migrar para órgãos vitais, provocar infecções graves, necroses, embolias pulmonares e reações inflamatórias severas que demandam internação urgente.

Em muitos casos, os sintomas não aparecem imediatamente. Algumas vítimas relatam complicações meses ou até anos depois da aplicação. A remoção do silicone industrial é extremamente difícil e, em alguns casos, impossível sem causar deformidades.

A médica dermatologista Lívia Barreto alerta: “O silicone industrial é uma substância estranha ao corpo. Ele não se encapsula, migra com o tempo e pode levar à morte. Não existe aplicação segura.”

A Anvisa reforça que nenhuma forma de silicone líquido é aprovada para uso estético no país. Apenas próteses sólidas de silicone, com certificação, podem ser utilizadas em procedimentos cirúrgicos autorizados, e sempre por profissionais especializados e em ambiente hospitalar.

Casos recentes de complicações graves, como o da modelo que morreu em São Paulo após uma aplicação feita em domicílio, acendem o alerta para os riscos desse mercado ilegal.

A pena para quem realiza procedimentos clandestinos com silicone industrial pode incluir reclusão por lesão corporal grave, exercício ilegal da medicina e até homicídio doloso em casos de óbito

A orientação dos órgãos de saúde é clara: desconfie de ofertas com preços muito baixos, sempre procure clínicas certificadas e nunca aceite a aplicação de substâncias que não estejam autorizadas pela Anvisa.

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