Reportagem aponta financiamento de rede internacional de prostituição e recrutamento de refugiadas; caso motivou pedido de investigação no STF.
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, passou a ser alvo de novas denúncias após reportagens revelarem mensagens que indicariam sua participação no financiamento e na organização de uma rede internacional de prostituição. Segundo apuração publicada pelo UOL em 13 de outubro, o esquema envolveria intermediários, recrutamento de mulheres estrangeiras e eventos privados com a presença de autoridades e pessoas próximas ao banqueiro. .
De acordo com a reportagem, mensagens obtidas pela Polícia Federal indicariam que Vorcaro participava de decisões sobre a seleção das mulheres, a contratação de serviços e os pagamentos relacionados aos eventos. O material também aponta investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões ligados à estrutura investigada.
Refugiadas aparecem entre as mulheres recrutadas
Um dos pontos mais delicados da apuração envolve mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas ucranianas que deixaram o país em meio à guerra. Segundo as mensagens relatadas pelo UOL, intermediários discutiam a permanência dessas mulheres no Brasil e a possibilidade de incluí-las em uma agência usada para organizar contratações.
As conversas também mencionariam deslocamentos internacionais, hospedagens, passagens aéreas e participação de mulheres em eventos realizados em cidades como Londres, Paris e Roma.
A investigação busca esclarecer se houve exploração sexual, aliciamento ou tráfico internacional de pessoas. A caracterização de tráfico humano depende da apuração dos elementos previstos em lei, incluindo as circunstâncias do recrutamento e eventual uso de fraude, coação ou abuso de vulnerabilidade.
Deputada pede investigação no STF
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que sejam investigadas as suspeitas de tráfico internacional de mulheres para exploração sexual relacionadas ao caso.
O pedido inclui a identificação e a proteção das possíveis vítimas, além da apuração das condições em que teriam sido recrutadas, transportadas e remuneradas. A parlamentar também solicitou investigação sobre os pagamentos e a atuação de intermediários. .
Vorcaro nega exploração de mulheres
Em nota divulgada após a publicação das denúncias, Daniel Vorcaro negou ter explorado ou desrespeitado mulheres. O ex-banqueiro também afirmou não reconhecer a autoria, a autenticidade e o contexto das conversas divulgadas e declarou estar disposto a colaborar com a Justiça. .
O caso amplia o alcance das investigações relacionadas a Vorcaro, que já envolvem suspeitas de irregularidades financeiras e possíveis relações com figuras dos meios político e empresarial.
Até o momento, as denúncias sobre tráfico humano devem ser tratadas como suspeitas em apuração, sem antecipar uma conclusão judicial sobre a responsabilidade dos envolvidos.






