Manaus | 4 de junho de 2026 | 12:51:10

Violência contra jornalistas na Amazônia

Dados da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) revelam a ocorrência de 230 casos de violência contra liberdade de imprensa nos nove estados da Amazônia Legal, nos últimos dez anos. Segundo a Fenaj, o Pará é o estado mais violento para repórteres na Amazônia, com 89 casos registrados em uma década, seguido por Amazonas (38), Mato Grosso (31) e Rondônia (20).

Um dos casos mais lembrados e que chocou o Brasil e o mundo foi o assassinato do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, em 2022. 

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Especificamente, nos últimos anos, principalmente após o assassinato do Bruno e do Dom, a gente começou a receber um volume de denúncias muito maior de jornalistas e comunicadores que atuam na região amazônica. Então, a grande motivação foi produzir um documento que embasasse essa nossa percepção – de ter um número de casos maior naquela região – para que a gente pudesse utilizar para um trabalho de incidência junto a atores do Estado brasileiro para que possa adotar medidas e criar políticas públicas de proteção aos jornalistas e comunicadores na Amazônia.”, disse Giuliano Galli, coordenador de Jornalismo e Liberdade de Expressão do Instituto Vladimir Herzog.

O relatório da Fenaj revela uma conexão direta entre a violência contra os profissionais da imprensa e as investigações sobre crimes ambientais na região. Em 2022, ano eleitoral, houve mais que o dobro de casos de violência contra jornalistas na Amazônia em comparação com o ano anterior, totalizando 45 casos contra 20 em 2021. 

O estudo aponta a relação entre atividades ilegais, como garimpo, mineração e ocupação de territórios indígenas, e a ausência de políticas públicas de proteção como fatores que diminuem para a violência na região. Além disso, destaca que não apenas jornalistas e comunicadores, mas também defensores dos direitos humanos, sofrem com essa violência.

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