Manaus | 1 de agosto de 2026 | 06:22:54

Venezuela bloqueia serviços de internet e aplicativo tiktok em censura digital

Foto:Reprodução

Em uma medida que reforça o controle sobre o acesso à informação, o governo da Venezuela bloqueou, no dia 10 de janeiro, cerca de 40 serviços de DNS públicos, incluindo os populares “8.8.8.8” (Google) e “1.1.1.1” (Cloudflare). Esses bloqueios, que afetam a conectividade à internet em todo o país, são acompanhados de restrições ao uso de redes privadas virtuais (VPNs) e ao aplicativo TikTok. A organização VE sin Filtro, que monitora a situação, informou que o bloqueio persiste até hoje, com interrupções adicionais que afetam a liberdade online da população venezuelana.

Os serviços de DNS e as VPNs são essenciais para burlar bloqueios governamentais, permitindo que os cidadãos acessem conteúdos e sites bloqueados pela censura. Com o bloqueio desses serviços, os venezuelanos perdem uma das principais ferramentas para contornar as limitações impostas pelo governo e acessar uma internet mais livre, com maior diversidade de informações e fontes. Além disso, o bloqueio do TikTok tem gerado um impacto considerável, especialmente em sua forma seletiva, com a plataforma sendo limitada principalmente durante a noite. Esses bloqueios noturnos fazem com que o acesso ao conteúdo de entretenimento e comunicação seja ainda mais restrito, afetando tanto o acesso à informação quanto o engajamento social online.

Segundo Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, o funcionamento do bloqueio se dá através de dois elementos fundamentais para a comunicação via internet: o DNS (Sistema de Nomes de Domínio) e o endereço IP (Protocolo de Internet). As autoridades bloqueiam ambos para impedir a comunicação entre os dispositivos e os serviços online. O DNS é responsável por traduzir os endereços de sites em endereços IP acessíveis, e o bloqueio de servidores DNS impede que os usuários acessem sites e serviços na web. Por outro lado, o bloqueio de endereços IP impede que a comunicação entre os dispositivos e os servidores de serviços online aconteça.

Esses bloqueios, no entanto, podem ser contornados se o endereço IP de um serviço for alterado e se o usuário utilizar servidores DNS que não estejam sob o controle das autoridades locais. Isso pode permitir que os internautas contornem a censura, algo que foi observado em outros países, como o Brasil, onde, recentemente, algumas plataformas mudaram de servidores DNS para burlar bloqueios impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Os principais provedores de internet na Venezuela, como CANTV, Movistar, Digitel, Inter, Supercable, Vnet, Airtek e G-Network, estão diretamente envolvidos na implementação desses bloqueios. De acordo com a análise de Ayub, os técnicos dessas operadoras são responsáveis por acessar os roteadores de borda – dispositivos cruciais para a gestão do tráfego de dados – e implementar o bloqueio dos endereços IP conhecidos. Isso é complementado pelo bloqueio de servidores DNS, que também são configurados para não resolver os endereços dos sites e serviços bloqueados, dificultando ainda mais o acesso à internet.

O bloqueio das VPNs é uma das medidas mais severas contra a liberdade de acesso à informação, uma vez que essas redes privadas virtuais permitem que os usuários acessem a internet de forma mais anônima e sem as restrições impostas pelo governo. Segundo a organização VE sin Filtro, 21 serviços de VPN tiveram seus domínios bloqueados, incluindo nomes populares como ExpressVPN, NordVPN, ProtonVPN e Surfshark. Com essas ferramentas impedidas de funcionar, os venezuelanos ficam ainda mais vulneráveis à censura e à vigilância estatal.

O bloqueio na Venezuela segue um padrão semelhante ao de outras nações com regimes autoritários, como o Brasil, onde as autoridades também utilizam métodos técnicos para bloquear conteúdos na internet. No Brasil, por exemplo, a Anatel está em fase de testes de um mecanismo automatizado chamado “Lacre Virtual”, que permite à agência disparar comandos diretamente para os roteadores de borda e servidores DNS, sem a necessidade de intervenção humana. Esse tipo de automação é uma tendência crescente em países que buscam restringir o acesso à internet e controlar o fluxo de informações.

Esse tipo de bloqueio não é único da Venezuela e Brasil. Outros países também têm adotado medidas restritivas para controlar a comunicação digital, dificultando o acesso à informação e censurando conteúdos que consideram indesejados ou ameaçadores ao regime vigente

Além do bloqueio de serviços de DNS e VPNs, o governo venezuelano tem adotado uma abordagem mais seletiva em relação ao TikTok, impondo restrições noturnas ao uso do aplicativo. O TikTok se tornou uma plataforma essencial de comunicação e expressão para muitas pessoas, especialmente para os mais jovens, tornando-se também um ponto de resistência e um canal de mobilização social. Limitar seu uso pode ser uma tentativa de restringir a liberdade de expressão e controlar o discurso político, algo que é comum em regimes autoritários.

O bloqueio de serviços de internet e a censura crescente na Venezuela representam mais uma tentativa do governo de controlar o fluxo de informações e restringir a liberdade digital de seus cidadãos. Embora a tecnologia permita aos venezuelanos contornar parcialmente esses bloqueios, as medidas continuam a dificultar o acesso à informação e a liberdade de expressão no país. O caso da Venezuela se torna um alerta sobre os perigos da censura digital, destacando a importância de proteger a liberdade na internet e garantir que os cidadãos possam se comunicar livremente e acessar informações sem restrições.

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