Os gastos do governo federal com viagens de pessoas que não possuem cargos no Executivo explodiram nos dois primeiros anos da gestão Lula. De acordo com dados oficiais, os valores saltaram impressionantes 213% em relação aos dois últimos anos do governo anterior, atingindo a marca de R$ 392,6 milhões.
O maior aumento foi registrado nas passagens aéreas, que cresceram 267%, totalizando R$ 200,9 milhões, valor direcionado exclusivamente a passageiros sem função pública formal.
Entre os nomes mais conhecidos está o da primeira-dama, Janja Lula da Silva, que acumulou R$ 237 mil em passagens aéreas, fora os custos com equipe, hospedagens e deslocamentos pagos à parte. Em diversas ocasiões, a primeira-dama viajou em classe executiva, privilégio normalmente reservado a ministros de Estado.
Governo justifica: “Tudo dentro das regras”
A gestão atual argumenta que a comparação é injusta por conta da pandemia, que limitou drasticamente as viagens no período 2020–2022. No entanto, especialistas destacam que, mesmo com a retomada da normalidade, o salto nos gastos é significativo e preocupante principalmente quando envolve figuras sem função oficial, que usam recursos públicos para agendas que nem sempre são transparentes ou justificadas.
Quem são os passageiros ocultos?
Além da primeira-dama, outros acompanhantes como assessores, convidados e pessoas próximas a autoridades também entram na conta. Muitos deles viajam em missões oficiais, mas sem que haja cargo público que justifique os custos com passagens, hotéis ou diárias.
A falta de detalhamento sobre os critérios usados para autorizar essas viagens levanta questionamentos sobre a real necessidade dos deslocamentos e se o contribuinte deve continuar bancando voos que, muitas vezes, se assemelham mais a turismo de luxo do que a compromissos de Estado.
O que poderia ser feito com R$ 392 milhões?
Para efeito de comparação, o valor gasto com essas viagens daria para:
Comprar mais de 5 milhões de doses de vacina contra o VSR para gestantes e bebês;
Financiar a construção de 2.000 creches públicas;
Cobrir o custo anual de quase 50 mil bolsas de estudo integrais no ensino superior.
Reação popular e pressão por transparência
Com o aumento do custo de vida e a pressão por mais responsabilidade fiscal, o tema deve ganhar força no debate público. Nas redes sociais, internautas já questionam a frequência com que a primeira-dama participa de eventos internacionais e o nível de conforto oferecido a ela e sua comitiva, em comparação com ministros ou representantes oficiais.
A discussão vai além da legalidade: é sobre prioridades e moralidade no uso do dinheiro público.






