Momentos de pânico, portas trancadas às pressas e corredores vazios tomaram o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) na tarde de sexta-feira (28). O clima de rotina acadêmica deu lugar ao medo depois que João Antônio Miranda Tello Gonçalves, funcionário afastado do setor de pedagogia, entrou armado na instituição e assassinou Allane de Souza Pedrotti Mattos e Layse Costa Pinheiro, respectivamente diretora da equipe pedagógica e psicóloga da unidade.
O ataque, ocorrido justamente no último dia letivo, transformou um ambiente reconhecido por sua tranquilidade em um cenário de desespero.
“Parecia impossível… tiro em escola?”
Relatos de alunos e professores revelam o caos instaurado após os primeiros disparos.
“Os alunos ficaram desesperados. Tentamos mantê-los dentro das salas até chegar a polícia. As informações vinham aos poucos… é triste demais. O Cefet sempre foi um lugar tão seguro”, relatou um professor à GloboNews.
Um estudante contou que boa parte dos colegas se escondeu improvisando barricadas com cadeiras e mesas:
“Achamos que era um barulho qualquer. Nunca pensamos que pudesse ser tiro. Quando começou a correria e falaram ‘massacre’, entramos em pânico. Trancamos o pavilhão e ficamos acompanhando tudo pelo WhatsApp. Foi um caos total.”
Para muitos, o fim do ano letivo, que deveria ser marcado por despedidas e leveza, virou um dia de luto.
As vítimas: duas mulheres fundamentais para o bem-estar da comunidade escolar
Allane de Souza Pedrotti Matos – 41 anos
Doutora em Letras, acadêmica respeitada e apaixonada por samba, Allane chefiava a Divisão de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ensino (Diace). Atuou em instituições renomadas como PUC-Rio, UFRJ, UFF e Universidade de Copenhague.
Era responsável por coordenar equipes pedagógicas do Ensino Médio Técnico. Deixa uma filha adolescente.
Nas redes sociais, o Renascença Clube manifestou pesar pela morte da artista que animava rodas de samba às quartas-feiras.
Layse Costa Pinheiro – 40 anos
Psicóloga escolar desde 2014, Layse dedicava sua carreira ao acolhimento emocional dos estudantes. Feminista, antirracista e defensora das minorias, era conhecida pela sensibilidade e pelo engajamento social.
Formada pela UERJ, também era apaixonada por música e dança de salão.
Ação policial e morte do agressor
A Polícia Militar informou que agentes do 6º BPM foram acionados imediatamente e encontraram o agressor morto dentro das dependências da instituição. João Antônio também integrava o departamento de pedagogia.
Repercussão nacional
O ministro da Educação, Camilo Santana, publicou nota lamentando as mortes e prestando solidariedade às famílias e à comunidade acadêmica.
O caso levanta debates sobre segurança, saúde mental e protocolos de proteção dentro de instituições de ensino federais, um tema que voltou ao centro da pauta nacional.







