Manaus | 20 de julho de 2026 | 20:41:34

Técnica brasileira tem 100% de eficácia no tratamento do câncer de mama inicial

Uma pesquisa inovadora realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou resultados promissores no tratamento de câncer de mama em estágio inicial. A técnica de crioablação, que utiliza nitrogênio líquido para congelar e destruir células cancerígenas, demonstrou 100% de eficácia em pacientes com tumores de até 2 cm. O estudo, que envolveu 60 participantes com indicação para cirurgia, destaca o potencial dessa abordagem como uma alternativa menos invasiva à operação tradicional.

Na primeira etapa do estudo, a crioablação foi capaz de eliminar completamente o câncer em 48 pacientes com tumores pequenos. Em 12 pacientes com tumores entre 2 e 2,5 cm, a técnica deixou pequenos focos da doença em 8% dos casos. Apesar disso, o procedimento foi considerado altamente eficaz e seguro.

Como funciona a crioablação

O procedimento é realizado com uma agulha fina que injeta nitrogênio líquido na região do tumor, resfriando-a a uma temperatura de -140ºC. Isso forma uma esfera de gelo que destrói as células cancerígenas de forma localizada, com intervenção mínima. De acordo com o professor Afonso Nazário, que liderou o estudo ao lado da professora Vanessa Sanvido, a técnica oferece uma série de vantagens em comparação à cirurgia convencional.

“Não precisa internar, não precisa tomar anestesia geral e fazer grandes cortes. Você pensa em uma paciente idosa, com muitas comorbidades, isso é uma tremenda vantagem”, destacou Nazário em entrevista à Folha de S. Paulo.

Apesar do sucesso da crioablação, todas as pacientes do estudo ainda passaram por cirurgia para remover o quadrante afetado e os linfonodos axilares. No entanto, a meta dos pesquisadores é que, no futuro, o procedimento substitua completamente as intervenções cirúrgicas.

Próximos passos

A pesquisa avança para uma última fase entre 2025 e 2027, com a participação de 700 pacientes. O objetivo será avaliar os impactos do tratamento a longo prazo e comprovar a viabilidade da crioablação como substituto da cirurgia. Se bem-sucedida, a técnica poderá revolucionar o tratamento de câncer de mama, especialmente para pacientes mais vulneráveis, como idosas ou aquelas com condições de saúde delicadas.

Os resultados preliminares deste estudo trazem esperança para a medicina e podem representar uma mudança significativa na forma como o câncer de mama é tratado, abrindo portas para intervenções menos invasivas e com maior qualidade de vida para as pacientes.

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