Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) discutiu um tema sensível e polêmico relacionado ao uso do termo “mãe” em documentos oficiais e legislações. O julgamento ocorreu durante uma sessão plenária e abordou a inclusão de uma linguagem mais neutra e inclusiva que atenda às diferentes configurações familiares e de gênero, em especial as que envolvem casais homoafetivos e pessoas transgênero.
O debate foi motivado por uma ação que questiona a obrigatoriedade do uso do termo “mãe” em contextos legais, como certidões de nascimento e formulários governamentais, argumentando que o termo, ao ser utilizado de forma exclusiva, pode excluir outras formas de parentalidade. Organizações defensoras dos direitos LGBTQIAPN+ e da diversidade familiar foram as principais responsáveis por impulsionar a ação, pedindo ao STF que considere a possibilidade de substituição ou complementação do termo “mãe” por expressões mais abrangentes, como “responsável legal” ou “genitor/a”.
Os ministros do STF ouviram durante a sessão argumentos tanto favoráveis quanto contrários à mudança. Aqueles que defendem a alteração afirmam que o uso de uma linguagem neutra e inclusiva é uma forma de reconhecer a diversidade de arranjos familiares e de promover a igualdade. Já os críticos apontam que o termo “mãe” possui um valor cultural, afetivo e histórico que não deveria ser desconsiderado.
O relator do caso, ministro Ricardo Lewandowski, destacou a importância do debate à luz das transformações sociais e jurídicas que o Brasil vem experimentando nas últimas décadas. “A sociedade mudou, e o direito precisa acompanhar essas transformações para garantir a igualdade e o respeito a todas as formas de existência e de família”, afirmou o ministro durante a sessão.
Embora o julgamento tenha sido interrompido e deva ser retomado em sessões futuras, o STF está diante de uma decisão que poderá impactar diretamente a forma como a legislação brasileira trata as questões de identidade de gênero e composição familiar, promovendo mudanças significativas na maneira como o Estado lida com a parentalidade e a filiação.
Organizações conservadoras e religiosas também se manifestaram contra a possível mudança, argumentando que a proposta relativiza o papel materno na sociedade e pode causar confusão jurídica e social. Por outro lado, ativistas dos direitos humanos e entidades LGBTQIAPN+ comemoraram o fato de o tema finalmente ter chegado ao Supremo, vendo no debate uma oportunidade para avanços na luta por reconhecimento e igualdade.
O resultado do julgamento ainda é incerto, mas é inegável que o debate traz à tona questões essenciais sobre a necessidade de adaptação do sistema jurídico às novas realidades sociais.





