Pressionado pela baixa popularidade e por críticas de censura em redes sociais, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem intensificado suas ações de comunicação para tentar melhorar sua imagem. Na última sexta-feira (15), a Corte reuniu um grupo de 26 influenciadores digitais em Brasília e lançou um pacote de figurinhas para WhatsApp chamado “Democracilover”, com frases como “Eu amo a Constituição” e “Alerta de Fake News”.
A iniciativa ocorreu no mesmo dia em que uma pesquisa do Datafolha revelou piora na avaliação do tribunal. Segundo o levantamento, realizado em 130 municípios, 36% dos brasileiros avaliam o STF como ruim ou péssimo, 31% como regular, e apenas 29% o consideram ótimo ou bom. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Em março do ano passado, os índices eram melhores: 40% avaliavam a atuação como regular e 28% como ruim ou péssima. O número de quem vê a Corte de forma positiva permanece estável (29%), mas o grupo que antes era indiferente migrou para a reprovação mais dura.
Divisão política na percepção
A aprovação ao STF é maior entre eleitores de Lula e simpatizantes do PT: 66% dos que avaliam bem o governo também aprovam a Corte. Já entre os autodeclarados bolsonaristas, 65% reprovam o tribunal.
Em relação à confiança em nomes de destaque, o ministro Alexandre de Moraes é visto como “nada confiável” por 43% dos entrevistados, enquanto Luís Roberto Barroso, presidente da Corte, tem rejeição de 36%.
Estratégia de comunicação
Para tentar reverter a imagem negativa, o STF tem apostado em estratégias que vão de encontros com influenciadores digitais a parcerias com universidades e palestras sobre “combate à desinformação”.
No evento da sexta-feira, chamado “Leis e Likes”, os influenciadores participaram de uma imersão no tribunal, visitaram o plenário, gravaram vídeos com Moraes e Barroso e debateram temas como racismo, cultura da favela, meio ambiente, diversidade e educação.
Grande parte dos convidados mantém publicações favoráveis ao STF e ao presidente Lula. Um deles, inclusive, se apresenta nas redes como “advogado do Xandão”.
Questionado sobre a rapidez no processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, Alexandre de Moraes respondeu que há desinformação sobre o tema e que a tramitação já dura quase dois anos, lembrando que a investigação é da Polícia Federal e a denúncia partiu da Procuradoria-Geral da República.
Já Barroso repetiu sua defesa de que a Corte atua para garantir valores constitucionais quando há omissão de outros poderes. Ele também afirmou que a internet e a inteligência artificial têm fragmentado a realidade, dificultando o consenso sobre fatos objetivos.
Segundo o STF, a primeira edição do evento com influenciadores, realizada no ano passado, aumentou em 30% a imagem positiva da Corte na imprensa e gerou mais de 400 conteúdos produzidos pelos participantes.





