Mais cadeiras, mais custo: aumento na Câmara terá impacto de R$ 64 milhões anuais e pouca efetividade
Mesmo com votos contrários de parte da bancada do Amazonas, a Câmara dos Deputados aprovou o aumento de 513 para 531 vagas, contrariando a recomendação do Supremo Tribunal Federal (STF), que defendia apenas a redistribuição das cadeiras com base no Censo 2022 — sem necessidade de criar novas.
A decisão impõe ao país uma fatura estimada em R$ 64,6 milhões por ano, valor que será bancado pelo contribuinte para manter salários, verbas de gabinete e demais benefícios dos novos parlamentares.
Mais representantes, mais despesa
O projeto foi relatado pelo deputado Damião Feliciano (União-PB), que ignorou o parecer do STF e optou pelo chamado “jeitinho”: em vez de redistribuir as vagas, decidiu criar novas cadeiras.
A região Norte foi a mais beneficiada:
• Pará ganhará 4 vagas (de 17 para 21);
• Amazonas, 2 (de 8 para 10).
Outros estados contemplados foram Santa Catarina (de 16 para 20), Ceará (de 22 para 23), Goiás (de 17 para 18) e Minas Gerais (de 53 para 54).
Bancada do Amazonas dividida
A proposta escancarou o racha entre os parlamentares do Amazonas na Câmara. Veja como votaram:
Votaram contra o aumento de vagas:
• Amom Mandel (Cidadania)
• Capitão Alberto Neto (PL)
• Sidney Leite (PSD)
Votaram a favor:
• Adail Filho (Republicanos)
• Átila Lins (PSD)
• Pauderney Avelino (União Brasil)
Ausentes:
• Fausto Júnior (União Brasil)
• Silas Câmara (Republicanos) – justificou ausência por licença médica.
O deputado Amom Mandel foi categórico ao justificar seu voto:
“Defendo uma redistribuição inteligente com base no Censo, sem criar novas vagas. Isso fortalece a representatividade do Amazonas e, ao mesmo tempo, preserva a responsabilidade fiscal. Aumentar a eficiência sem aumentar o custo é o que a população espera.”
Capitão Alberto Neto também destacou a incoerência do projeto com a realidade fiscal do país:
“Querem modernizar aumentando gasto. Isso não é modernização, é expansão de privilégio.”
E na Aleam, vem mais por aí
O impacto não será apenas em Brasília. Com base na nova composição populacional, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) também deve aumentar: de 24 para 30 deputados estaduais — o que significa mais cargos, mais gabinetes e mais despesas estaduais.
“Modernização” ou custo político?
A ampliação do número de parlamentares foi aprovada sob o argumento de reequilibrar a representatividade entre os estados.
Mas, para críticos, o efeito prático é nulo se o total de cadeiras não for mantido — o que foi exatamente o que o STF havia determinado.
Como resumiu um analista político:
“O Congresso ganha mais 18 deputados, o país mais uma conta bilionária, e a representatividade continua desequilibrada. Votar contra virou apenas um gesto simbólico.”.





