Manaus | 3 de junho de 2026 | 03:47:55

QUATRO MESES DE ESPERA: Pais de Benício cobram laudo do IML e justiça por morte de criança em Manaus

créditos: g1

MANAUS – Passados quatro meses da morte de Benício Xavier Freitas, de apenas 6 anos, a família do menino segue em busca de respostas fundamentais. Nesta quinta-feira (2), os pais de Benício cobraram publicamente celeridade do Instituto Médico Legal (IML) na entrega do laudo de necropsia, documento crucial para o avanço do inquérito policial.

Benício faleceu no dia 23 de novembro de 2025, após receber uma aplicação de adrenalina por via intravenosa. Segundo as investigações, a via de administração e a dosagem não eram adequadas ao quadro clínico da criança, o que desencadeou múltiplas paradas cardíacas.

Obstrução e demora

Para o pai, Bruno Mello de Freitas, a espera pelo documento prolonga o luto e trava o processo jurídico. A Polícia Civil do Amazonas solicitou uma prorrogação de 45 dias para encerrar as investigações, alegando dependência direta dos resultados do IML. “Somos apenas humanos buscando respostas para a morte do nosso filho. Já se passaram quatro meses e a falta de um resultado concreto aumenta nossa dor todos os dias”, desabafou Bruno.

A defesa da família reforça que o atraso impede a realização de perícias independentes e a formulação de pareceres técnicos necessários para a responsabilização dos envolvidos.

Fraude e Conduta Médica

Enquanto o laudo é aguardado, novos detalhes da investigação chocam a opinião pública. A médica Juliana Brasil Santos está sob investigação por suspeita de adulteração de provas. De acordo com a Polícia Civil, a profissional teria encomendado e pago pela edição de um vídeo do sistema hospitalar para tentar transferir a culpa do erro médico para uma falha no software do Hospital Santa Júlia.

Perícias já confirmaram que o material entregue pela defesa da médica foi manipulado. Mensagens e áudios obtidos pelos investigadores revelam Juliana negociando a edição do vídeo. Além da tentativa de fraude, a investigação aponta que a médica comercializava cosméticos por aplicativos de mensagem no exato momento em que atendia Benício, que já se encontrava em estado crítico.

Contraponto

Em nota, a defesa de Juliana Brasil Santos sustenta que o vídeo é autêntico e foi produzido por um profissional de confiança em outra unidade de saúde que utiliza o mesmo sistema. Os advogados negam qualquer pagamento pela produção do conteúdo.

O caso segue sob apuração no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde a delegacia avalia se a conduta da médica configura dolo eventual, quando se assume o risco de causar a morte.

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