Manaus | 19 de outubro de 2026 | 15:38:14

Primeira cirurgia cerebral para tratar depressão resistente é realizada na Colômbia

Em um avanço histórico para a medicina, a Colômbia se tornou palco da primeira cirurgia cerebral realizada com o objetivo de tratar a depressão resistente. O procedimento aconteceu no Hospital Internacional de Bucaramanga e foi conduzido pelo neurocirurgião William Omar Contreras e sua equipe.

A paciente, Lorena Rodrigues, de 34 anos, sofre de depressão e ansiedade desde a adolescência e não apresentava resposta a medicamentos ou terapias tradicionais. O método utilizado foi a estimulação cerebral profunda (ECP), também conhecida como Deep Brain Stimulation (DBS). A técnica consiste na implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro, conectados a um dispositivo semelhante a um marca-passo, que regula a atividade elétrica cerebral.

Diferente das antigas e polêmicas psicocirurgias, como a lobotomia, o DBS é ajustável e reversível, o que permite adaptar o tratamento às necessidades do paciente. Estudos clínicos em outros países já apontaram melhora significativa em até 60% dos casos mais graves de depressão.

Lorena descreveu a experiência como um marco em sua vida: “Foi como renascer. Eu senti uma clareza que há muito tempo não tinha”. A declaração ecoa entre especialistas, que veem no avanço uma alternativa para um dos maiores problemas de saúde mental do século: a depressão resistente, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

Apesar dos resultados animadores, médicos alertam que a técnica ainda está em fase experimental. Há riscos associados, como infecções ou complicações cirúrgicas, e o uso clínico em larga escala depende de novos estudos e regulamentações. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Mount Sinai iniciou em março de 2025 um ensaio clínico similar, reforçando a importância de avaliações em diferentes contextos.

Ainda assim, o caso colombiano pode abrir caminho para uma revolução no tratamento da saúde mental, oferecendo esperança a pacientes que há anos convivem com a desesperança de terapias ineficazes.

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