A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, chegou a Montevidéu nesta quinta-feira (5) para participar da cúpula do Mercosul, que ocorrerá nesta sexta-feira (6). Sua presença é um sinal claro de que o tão aguardado acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul está mais próximo de ser concretizado, após 25 anos de negociações.
A confirmação de sua visita foi antecipada pela CNN, que relatou que fontes de três países diferentes haviam dado a informação na quarta-feira (4). Von Der Leyen publicou em suas redes sociais que a “linha de chegada” do acordo estava no horizonte e que ambas as regiões, tanto a europeia quanto a sul-americana, seriam beneficiadas com a maior parceria de comércio e investimento do mundo.
O tratado, que abrange uma vasta gama de áreas comerciais e econômicas, foi objeto de intensas negociações nos últimos meses. Uma rodada decisiva aconteceu recentemente em Brasília, onde os pontos de divergência foram reduzidos de cinco ou seis para apenas dois. Embora os detalhes técnicos do acordo tenham sido concluídos, as conversas agora dependem de uma decisão política final, que envolve a aprovação de Von Der Leyen e dos líderes do Mercosul.
A cúpula também contará com a presença do novo comissário de Comércio da União Europeia, Maros Sefcovic, que assumiu o cargo há poucos dias e é considerado uma figura chave nas negociações comerciais. Embora a visita de Von Der Leyen tenha sido incerta até quarta-feira, a visita finalmente foi confirmada após consultas internas com os 27 países membros da UE.
Desafios e Resistências
Apesar do avanço, o acordo enfrenta desafios. A França tem se mostrado abertamente contrária ao tratado, principalmente em questões ambientais e agrícolas. Além disso, outros países europeus, como Polônia, Áustria e Irlanda, também apresentam críticas. No entanto, países como Alemanha, Espanha, Portugal e Suécia têm defendido fortemente a conclusão das negociações, destacando os benefícios comerciais e econômicos que o acordo trará para a União Europeia.
Após o fechamento do acordo, o tratado ainda passará por um processo de revisão jurídica e tradução para os idiomas oficiais da União Europeia. Em seguida, o texto será submetido ao Conselho Europeu, onde deve ser aprovado por 55% dos países membros, representando 65% da população total da UE. Apesar da resistência de alguns países, a França, sozinha, não tem poder suficiente para barrar o acordo.
A última etapa será a ratificação pelo Parlamento Europeu, mas a parte comercial do acordo não depende dessa ratificação. A cooperação política e ambiental, no entanto, ainda exigirá a aprovação nos legislativos de cada país membro da UE.
O acordo UE-Mercosul tem o potencial de transformar a relação comercial entre os dois blocos, ampliando as trocas comerciais, investimentos e colaborando com o desenvolvimento econômico mútuo.






