Quantas mulheres você conhece que têm um hobby? Um passatempo que não seja ligado ao trabalho, aos filhos ou à casa? Enquanto muitos homens cultivam atividades como futebol, videogame, música ou coleções, as mulheres costumam dedicar seu tempo livre a responsabilidades ou tarefas domésticas. Mas por que isso acontece?
A sobrecarga de responsabilidades
Pesquisas mostram que, mesmo quando trabalham fora, as mulheres continuam sendo as principais responsáveis pela casa e pelos filhos. Segundo um estudo do IBGE, as mulheres dedicam, em média, 21,4 horas semanais aos afazeres domésticos e ao cuidado com a família – quase o dobro do tempo dos homens. Esse acúmulo de funções faz com que muitas não consigam sequer pensar em um hobby, pois, quando sobra um tempo, ele é usado para descansar ou resolver pendências.
A culpa de tirar um tempo para si
Diferentemente dos homens, que geralmente não precisam justificar suas horas de lazer, as mulheres frequentemente sentem culpa ao se dedicarem a algo que não seja “produtivo”. Há uma cobrança social para que sejam mães presentes, esposas atentas e profissionais dedicadas, deixando pouco espaço para atividades pessoais. Se um homem passa a tarde jogando videogame, isso é visto como normal; se uma mulher decide fazer o mesmo, muitas vezes sente que deveria estar fazendo algo “mais útil”.
Falta de incentivo desde a infância
Desde pequenas, as meninas são incentivadas a brincar de casinha, boneca e atividades que simulam o cuidado com os outros, enquanto os meninos são estimulados a desenvolver interesses individuais, como esportes ou tecnologia. Esse padrão se mantém na vida adulta, onde hobbies masculinos são mais aceitos e incentivados, enquanto os femininos muitas vezes se misturam a tarefas domésticas, como cozinhar ou cuidar de plantas – atividades que, embora prazerosas, acabam sendo vistas como extensões do trabalho.
O que pode ser feito para mudar isso?
Para que mais mulheres tenham hobbies, é necessário mudar a cultura da sobrecarga. Isso passa por uma divisão mais equilibrada das responsabilidades dentro de casa, pelo incentivo ao lazer feminino sem culpa e pelo reconhecimento de que ter um tempo para si não é luxo, mas necessidade.
Mulheres também precisam se permitir redescobrir prazeres individuais, sem se sentirem egoístas por isso. Ter um hobby não é perda de tempo – é uma forma de se reconectar consigo mesma e garantir saúde mental e bem-estar.






