Uma operação deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) expôs um esquema criminoso envolvendo agentes da segurança pública. Oito policiais militares e um perito da Polícia Civil foram presos na manhã desta terça-feira (29), acusados de integrar uma milícia que atuava em Manaus praticando crimes como sequestro, extorsão e roubo.
Batizada de Operação Militia, a ação é fruto de uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Inteligência (Gaei), e jogou luz sobre a atuação de um grupo que usava a farda para cometer crimes.
Criminosos com farda
De acordo com o MP, os integrantes da milícia realizavam abordagens armadas, mascarados e com coletes balísticos, simulando operações policiais. As ações eram cuidadosamente planejadas: os alvos eram, em geral, pessoas com algum envolvimento com o crime, o que dificultava as denúncias. Ao serem rendidas, as vítimas eram levadas para locais desconhecidos e só eram liberadas após o pagamento de resgate. O grupo teria movimentado mais de R$ 300 mil em extorsões.
A investigação teve início em fevereiro deste ano, após um vídeo circular nas redes sociais mostrando um homem sendo retirado à força de um veículo por indivíduos fortemente armados no bairro Cidade Nova, zona norte da capital. À primeira vista, parecia uma operação oficial. Mas não era.
Os presos
Entre os detidos estão policiais lotados na Força Tática, na Cavalaria e no Comando de Policiamento de Área (CPA). Um deles é um tenente aposentado. O perito da Polícia Civil, alvo de mandado de prisão temporária, foi ouvido e liberado após prestar depoimento.
Armas, dinheiro e coletes
Durante o cumprimento dos 16 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, os agentes do MP apreenderam:
- Armas de fogo, incluindo pistolas e fuzis
- Cerca de R$ 11 mil em espécie
- Balaclavas, coletes balísticos e celulares
Um dos alvos da operação foi o prédio da Força Tática, localizado na zona sul da capital. O material recolhido está sendo periciado e poderá reforçar a denúncia.
Polícia se posiciona
Em coletiva de imprensa, o comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Klinger Paiva, lamentou os fatos e afirmou que a corporação está colaborando com as investigações:
“A Polícia Militar não compactua com desvios. Esses policiais não representam os mais de 8.500 homens e mulheres que diariamente arriscam suas vidas pela sociedade”, declarou.
Os investigados já foram afastados de suas funções e responderão também a processos administrativos disciplinares.
O que vem a seguir
As investigações seguem em andamento e o MP não descarta novas prisões. Segundo o promotor Armando Gurgel Maia, coordenador da operação, o grupo pode estar envolvido em outros crimes ainda não revelados. A expectativa é que o material apreendido revele mais nomes e ajude a identificar novas vítimas.
A atuação de grupos milicianos com participação de agentes públicos reacende o debate sobre a infiltração do crime organizado nas forças de segurança e levanta um alerta para a sociedade e para os órgãos de controle.





