O sistema de pagamentos instantâneos mais utilizado no Brasil, o Pix, passará por uma atualização importante em sua estrutura de segurança a partir de 2 de fevereiro. As novas regras, determinadas pelo Banco Central, tornam obrigatório o uso do Mecanismo Especial de Devolução (MED) 2.0, que promete dificultar a vida de golpistas e aumentar as chances de recuperação de valores para as vítimas.
A principal mudança é a capacidade de rastreamento em cadeia. Atualmente, quando um golpe ocorre, o bloqueio do MED costuma atingir apenas a primeira conta que recebeu o dinheiro. Com o MED 2.0, se o criminoso transferir o valor roubado para outras cinco ou seis contas diferentes na tentativa de “sumir” com o rastro, o sistema agora consegue identificar e bloquear os valores em todas essas camadas simultaneamente.
Denúncia direta e bloqueio em 72 horas
De acordo com especialistas em segurança digital, como Josué Adil, CEO da Acadi-TI, o fortalecimento do MED permite que as instituições bloqueiem contas suspeitas por até 72 horas logo após uma denúncia. Outro avanço é a facilidade de acesso: todos os bancos serão obrigados a disponibilizar um botão de “Contestação de Pix” ou acesso direto ao MED dentro do próprio aplicativo.
“Agora você tem a mesma facilidade do cartão de crédito no Pix. O banco, através da tecnologia, já vai bloquear a conta de destino do fraudador automaticamente”, explica Adil.
O que não muda
O Banco Central reforça que o mecanismo é exclusivo para casos de fraude, golpe, coerção ou falha operacional. Problemas como desacordos comerciais (comprou um produto e não gostou) ou erros de digitação ao enviar um Pix para a pessoa errada não dão direito ao uso do mecanismo de devolução especial. Além disso, o órgão desmentiu boatos sobre taxação ou monitoramento governamental das transações.






