Os consumidores devem preparar o bolso para uma Páscoa mais cara em 2025. O motivo está na disparada do preço do cacau, que acumulou alta de cerca de 180% nos últimos dois anos. A valorização histórica da commodity, causada por problemas climáticos em países produtores como Gana e Costa do Marfim, já impacta diretamente os custos da indústria chocolateira.
Desde março de 2023, o preço do cacau negociado em Nova York saltou de US$ 2,9 mil para mais de US$ 8 mil por tonelada. Em dezembro de 2024, chegou ao pico de US$ 12.565 — justamente quando as fabricantes compram os insumos para a produção da Páscoa do ano seguinte.
Segundo Anna Paula Losi, presidente da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), o Brasil é afetado diretamente pelo cenário, já que a produção nacional — cerca de 190 mil a 200 mil toneladas por ano — não é suficiente para atender à demanda da indústria, que chega a processar até 240 mil toneladas.
Oferta menor, preços maiores
Dados da AIPC mostram que o recebimento de amêndoas de cacau no Brasil caiu 18,5% em 2024, com impacto direto na moagem — que recuou 9,5%. A redução na oferta e o aumento dos custos já refletem no mercado: segundo a Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates), a projeção para a Páscoa deste ano é de 45 milhões de ovos de chocolate vendidos — uma queda de 22,4% em relação a 2024.
A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) estima que, em média:
- Chocolates subiram 27%,
- Bombons aumentaram 13,5%,
- Ovos de Páscoa ficaram 9,5% mais caros.
Qualidade também pode ser afetada
Além dos preços, a escassez de cacau pode comprometer a qualidade dos produtos. O economista Valter Palmieri Júnior, da Strong Business School, alerta que, com menos cacau disponível, a indústria tende a recorrer a outras matérias-primas para manter os custos. “Produtos de menor qualidade podem ter até 75% da fórmula composta por ingredientes que não são cacau”, explica.
Setor busca alternativas
Para amenizar os impactos, o setor tem investido em inovação e exportação. As exportações de derivados de cacau cresceram 6,2% no ano passado, e a produção de itens diversos (sem contar ovos de Páscoa) aumentou 31% no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Mesmo assim, o Brasil ainda enfrenta déficit. A expectativa é de que a produção nacional alcance 200 mil toneladas em 2025, número ainda insuficiente frente à demanda crescente. Ainda assim, o cenário pode representar uma oportunidade para o país se fortalecer como produtor — diante do enfraquecimento dos grandes exportadores globais.





