Manaus | 23 de julho de 2026 | 11:11:36

OITO DE MARÇO | Direitos em risco: O retrocesso global na igualdade de gênero

Cinquenta anos após as Nações Unidas oficializarem o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, os direitos das mulheres e meninas enfrentam ameaças sem precedentes ao redor do mundo. A avançada crise de igualdade de gênero se manifesta em diversas formas: aumento da discriminação, redução de proteções legais e corte de financiamento para programas que protegem e promovem a segurança das mulheres.

Ainda em 2014, o ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon classificou a violência de gênero como uma “pandemia” global. Dez anos depois, os indicadores mostram que a situação se agravou. Apenas em 2024, um a cada quatro países apresentou retrocessos significativos na legislação voltada à igualdade de gênero e direitos femininos. Movimentos ultraconservadores e crises econômicas têm servido de estopim para a retirada de direitos adquiridos, incluindo restrições ao acesso à saúde reprodutiva e maior impunidade para crimes de violência de gênero.

A ONU Mulheres alerta que, se essa tendência persistir, o objetivo de alcançar a igualdade de gênero até 2030 estará cada vez mais distante. Em países como Afeganistão, Irã e partes dos Estados Unidos, por exemplo, políticas governamentais têm reforçado a desigualdade, revogando direitos reprodutivos e limitando a presença feminina em espaços públicos e no mercado de trabalho.

No Brasil, apesar dos avanços em algumas legislações, como a Lei Maria da Penha e a recente aprovação da igualdade salarial entre homens e mulheres, desafios persistem. O feminicídio segue em alta, e a violência doméstica, que atinge milhares de mulheres diariamente, ainda encontra barreiras institucionais que dificultam a proteção das vítimas.

O Dia Internacional da Mulher, que deveria simbolizar a conquista de direitos e o avanço na luta por igualdade, em 2024 serve como um alerta: a luta está longe de ser vencida. Com o crescimento de discursos anti-feministas e a desmobilização de políticas públicas, especialistas alertam que garantir e ampliar os direitos das mulheres exige mobilização contínua da sociedade civil e uma resposta política assertiva para frear os retrocessos.

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