Enquanto o consumidor manauara tenta digerir o susto de encontrar o litro da gasolina beirando os R$ 7,30, o interior do Amazonas já vive uma realidade distópica. Em Maués, o combustível rompeu a barreira psicológica dos R$ 10,00, desenhando um cenário de crise que levou a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) a cobrar uma saída que vá além da simples fiscalização de bombas.
Nesta quarta-feira (11), o debate no legislativo estadual mudou de tom. O presidente da Casa, deputado Roberto Cidade (UB), sinalizou que o Procon sozinho não resolve o problema. A tese agora é o “entendimento tripartite”: uma articulação direta entre o Governo do Estado, prefeituras e o setor de combustíveis para buscar uma “terceira via” econômica.
Além do “Efeito Guerra”
É fato que o conflito internacional pressiona o barril de petróleo, mas a disparidade nos preços locais sugere gargalos internos que a política agora tenta atacar. A proposta de Cidade coloca na mesa a possibilidade de incentivos fiscais ou ajustes tributários temporários como forma de amortecer o impacto.
“É preciso responsabilidade com o consumidor. Me coloco à disposição para articular junto ao governador Wilson Lima e ao setor. Precisamos de um meio-termo, talvez via incentivos, para controlar esse valor antes que o dano seja irreversível”, defendeu o parlamentar.
O abismo entre capital e interior
A urgência da articulação política é alimentada por números que assustam:
Manaus: Média de R$ 7,29 (uma das capitais mais caras do país).
Pauini: Consumidor já paga R$ 9,14.
Maués: Preços ultrapassam os R$ 10,00.
Fiscalização sob pressão
Enquanto a articulação política busca uma solução estrutural, o Procon-AM anunciou que vai apertar o cerco. O objetivo é investigar se a velocidade do repasse de aumento nas refinarias para as bombas foi desproporcional ou oportunista, uma vez que o salto nos preços pegou o amazonense de surpresa da noite para o dia.
O desafio agora é de agilidade. No Amazonas, onde o transporte fluvial depende diretamente do combustível, o preço da gasolina dita o preço da comida. A busca pelo “meio-termo” mencionada na Aleam não é mais apenas uma questão econômica, mas de sobrevivência logística.





