O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, lançou uma mensagem em inglês nesta quinta-feira, 24 de outubro de 2025, aos Estados Unidos: “No crazy war, please!” (“Nada de guerra maluca, por favor!”).
A frase foi proferida durante encontro com sindicatos aliados ao governo em Caracas e marcou o ponto mais simbólico até agora de tensão entre Caracas e Washington.
A declaração de Maduro se dá em meio a uma série de operações militares dos EUA no Caribe, que o governo venezuelano considera parte de uma campanha para enfraquecer seu regime. Levantamentos indicam que pelo menos 37 pessoas morreram em ataques a embarcações suspeitas de tráfico, segundo dados da agência AFP com base em fontes dos EUA.
Maduro também acusou os EUA de autorizar ações encobertas da CIA dentro da Venezuela e de preparar terreno para mudança de regime.
No discurso, além do apelo em inglês, ele reforçou em espanhol a busca por paz: “Yes peace, yes peace forever, peace forever. No crazy war, please!”
Analistas interpretam o uso do inglês como um gesto calculado para atrair atenção internacional e posicionar a Venezuela como vítima de uma escalada de poder externo — mesmo enquanto o governo mobiliza exercícios militares e reforços defensivos ao longo da costa.
O que está em jogo
A escalada dos EUA se dá sob a justificativa de combate ao narcotráfico e ao crime organizado na região — porém, as autoridades venezuelanas interpretam essas ações como ameaça direta à soberania.
O apelo de Maduro tenta frear o risco de um confronto armado direto, ainda que a retórica venezuelana siga acusando os EUA de intenções de intervenção.
A frase “No crazy war, please!” pode funcionar como parte de uma estratégia diplomática: simultaneamente rejeitar a guerra, mobilizar internamente e alertar para custos internacionais caso haja nova escalada.








