Uma tragédia marcada por manipulação, fanatismo religioso e descaso resultou na morte de Flávia Cunha, de 42 anos, que faleceu por desnutrição grave após ser submetida a maus-tratos físicos e psicológicos.
A vítima foi mantida em condições desumanas pela autointitulada pastora Marleci, que se apresenta como terapeuta, sensitiva e líder espiritual de um ministério que, na prática, atuava com métodos abusivos e criminosos.
O caso ocorreu no interior de São Paulo e está sendo investigado pela polícia como homicídio com dolo eventual, cárcere privado e tortura. Segundo as autoridades, Flávia foi convencida a se afastar da família e entregar sua confiança e recursos à pastora, que dizia ter dons sobrenaturais capazes de promover “cura espiritual e libertação de traumas”.Conforme apontam as investigações, Marleci, junto com seu marido, submetia os seguidores a longos jejuns, sessões de exorcismo forçado e isolamento. Flávia teria sido privada de alimentação adequada, vivendo sob controle total da rotina e da mente, até entrar em colapso por fome extrema.
O laudo do IML confirmou desnutrição severa como causa da morte.Antes de conhecer Marleci, Flávia mantinha uma vida social ativa nas redes sociais e era descrita por amigos como uma mulher “meiga, brilhante e amorosa”. Seu perfil antigo no Facebook mostra registros de uma vida simples, marcada por afetos e espiritualidade, mas sem sinais dos abusos que enfrentaria anos depois.
A pastora Marleci, que mantém o perfil no Instagram, apresenta-se como líder de um ministério independente e compartilha frases de autoajuda e vídeos com discursos religiosos. Contudo, ex-membros relatam que o ambiente era de domínio psicológico, humilhação pública e práticas religiosas distorcidas.
A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na casa onde Flávia era mantida. A pastora e o marido foram ouvidos e seguem sendo investigados em liberdade, embora familiares da vítima peçam a prisão imediata dos responsáveis.
O caso gerou comoção nas redes sociais, com internautas exigindo justiça para Flávia. “Ela não morreu de fome. Foi assassinada pela fé distorcida e pelo controle de mentes fragilizadas”, escreveu uma usuária no X (antigo Twitter).
A família de Flávia, devastada, agora busca respostas e alerta para os perigos de seitas disfarçadas de ministérios religiosos. “Ela acreditava que estava sendo curada, mas foi destruída. Não podemos deixar isso impune”, declarou uma irmã da vítima.






