Manaus | 19 de outubro de 2026 | 20:11:10

Morto por uma barra de chocolate: funcionário acusa gerente de omissão após morte de jovem

O caso da morte de Rodrigo da Silva Boschen, de 22 anos, após ser perseguido e agredido por funcionários do Hipermercado Muffato, no bairro Portão, em Curitiba, continua a gerar comoção e revolta. O jovem foi acusado de tentar furtar uma barra de chocolate e chicletes, e acabou morrendo após ser imobilizado com um golpe conhecido como “mata-leão”.

Nesta quinta-feira (3), Luiz Roberto Costa Barbosa, funcionário do setor de hortifrúti do mercado, prestou depoimento à 3ª Delegacia de Homicídios da Capital. Ele foi preso por envolvimento na morte do rapaz. Segundo Luiz, ele estava fumando com outro funcionário na entrada do mercado quando ouviu pelo rádio da segurança que havia um furto em andamento. Ele e outros colaboradores, entre eles o segurança apelidado de “Braia” e um integrante da equipe de prevenção de perdas, começaram a perseguir Rodrigo.

Luiz nega ter participado diretamente das agressões e disse que só chegou ao local onde Rodrigo estava caído após um sinal de trânsito o atrasar. Ele afirma que, quando chegou, o jovem já estava inconsciente, com sinais de sangramento no rosto.

O funcionário também relatou que tentou pedir ajuda a um motociclista para conter Rodrigo, mas nega ter presenciado qualquer agressão física. Segundo seu depoimento, os funcionários tentaram carregar o corpo de Rodrigo de volta para o interior do mercado, mas não conseguiram por conta do peso.

Um dos trechos mais impactantes do depoimento é quando Luiz afirma que a orientação dada pela gerência foi para que todos voltassem ao trabalho e ignorassem o corpo da vítima, que ficou estendido na calçada por vários minutos, até a chegada do socorro. Clientes e trabalhadores circularam normalmente, como se nada tivesse acontecido.

As investigações indicam que Rodrigo pode ter morrido em decorrência do golpe “mata-leão”. A Polícia Civil já ouviu outros envolvidos e a conduta da gerência do estabelecimento também está sendo apurada.

Organizações de direitos humanos cobram responsabilização dos envolvidos, inclusive da rede Muffato, e denunciam o uso excessivo de força por parte de seguranças em ações de prevenção a pequenos furtos.

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