Manaus | 19 de outubro de 2026 | 16:47:36

Morre menino de 8 anos ignorado por médicos após queda em atividade escolar

A morte precoce de Victor, um menino de apenas 8 anos, vem gerando comoção em Santa Cecília e repercussão nas redes sociais, onde familiares e internautas levantam sérios questionamentos sobre o atendimento prestado ao garoto nos dias que antecederam a tragédia.

Victor era aluno do Programa de Educação Tutorial (PET) e, segundo a mãe, Josisleine, sofreu uma queda durante uma atividade no ginásio do projeto, na terça-feira, 19 de maio. Ele mesmo relatou o episódio à mãe, mas inicialmente não aparentava ferimentos graves.

Na madrugada seguinte, no dia 20, por volta das 3h, Victor acordou reclamando de dores intensas em um dos olhos, que já apresentava inchaço. A mãe o levou ao Posto de Saúde pela manhã. A médica plantonista, no entanto, limitou-se a examinar garganta e ouvido, diagnosticando uma gripe e prescrevendo um medicamento comum.

Horas depois, sem melhora e com o quadro se agravando, Josisleine procurou o Pronto Socorro da cidade. Mesmo após longa espera, Victor não foi priorizado, sendo atendido depois de outras crianças. Um raio-X foi solicitado, mas não apontou alterações. O menino recebeu medicação intravenosa e foi liberado.

Na madrugada de quinta-feira, 21, a situação se agravou novamente. O olho de Victor estava mais inchado e arroxeado. A mãe retornou ao Posto de Saúde, mas a proposta era agendar atendimento para as 15h, apesar do estado evidente da criança.

Ao meio-dia, o pai da criança chegou do trabalho e, ao ver o filho prostrado, vomitando e sonolento, decidiu levá-lo imediatamente ao Pronto Socorro. Uma tomografia foi realizada, mas a família denuncia a demora na análise dos resultados. Victor continuava a sentir dores intensas e foi novamente medicado com soro e dipirona.

Somente no final da tarde, após avaliação de uma médica que constatou a piora clínica e manchas roxas no corpo da criança, foi solicitado o internamento no hospital municipal. Ao ser transferido, o médico plantonista suspeitou de uma fratura na base do crânio e concluiu que o município não tinha estrutura para o caso.

Foi organizada a remoção de Victor ao Hospital Maice, em Caçador. No trajeto da ambulância, o menino gritou de dor, sangrou pela boca e desmaiou nos braços do pai. Ao chegar à unidade, foi levado às pressas para atendimento de emergência, mas já era tarde: Victor não resistiu.

A frase repetida por ele antes de falecer “Mãe, eu caí no ginásio com o PET” tornou-se símbolo do apelo da família por justiça.

O pai registrou boletim de ocorrência para tentar obter as imagens de segurança do local da queda, mas, até o momento, as gravações não foram entregues pela coordenação do projeto.

O caso levanta sérias suspeitas de negligência médica e falhas na linha de cuidado com a criança, principalmente diante do histórico de atendimentos com sinais evidentes de agravamento e da ausência de encaminhamento imediato. A comunidade local pede providências urgentes, tanto na área da saúde quanto na investigação da queda que pode ter sido o estopim para a tragédia.

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