Manaus | 23 de julho de 2026 | 14:56:25

Metade das condições de dor crônica afeta mais mulheres

A dor é uma experiência sensitiva individual que acontece com todos. No entanto, quando essa sensação ocorre constantemente, sem motivo aparente, por mais de três meses, passa a ser considerada dor crônica. Essa condição afeta cerca de 20% dos adultos, segundo estudos recentes, e atinge desproporcionalmente as mulheres.

Pesquisas indicam que cerca de metade das condições de dor crônica acometem mais mulheres do que homens. Entre os fatores que explicam essa diferença estão aspectos biológicos, como a sensibilização e percepção da dor e as variações hormonais, que podem influenciar a resposta do organismo. Durante o ciclo menstrual, por exemplo, as oscilações hormonais podem agravar quadros de dor, como enxaquecas e cólicas intensas.

Além disso, condições como fibromialgia, enxaqueca crônica e síndrome da fadiga crônica são mais prevalentes no sexo feminino. A fibromialgia, por exemplo, é uma síndrome de dor generalizada que afeta até nove vezes mais mulheres do que homens. As razões para essa disparidade ainda estão sendo investigadas, mas acredita-se que fatores genéticos e neuroquímicos desempenhem um papel fundamental.

No entanto, a explicação para essa diferença não se restringe ao campo da biologia. A cultura e a sociedade também têm impacto significativo na forma como a dor das mulheres é percebida e tratada. Estudos apontam que mulheres que relatam dor frequentemente enfrentam um maior ceticismo por parte dos profissionais de saúde, recebendo diagnósticos tardios ou até mesmo tendo seus sintomas desvalorizados. O viés de gênero na medicina faz com que muitas mulheres passem anos em busca de um diagnóstico adequado e de um tratamento eficaz.

Além disso, a sobrecarga emocional e mental imposta às mulheres pela sociedade, como a exigência de conciliar trabalho, maternidade e vida doméstica, pode contribuir para um aumento da percepção da dor. A relação entre dor crônica e transtornos como ansiedade e depressão também reforça a importância de um olhar multidisciplinar para o tratamento dessas pacientes.

Os avanços na ciência estão trazendo novas abordagens para o manejo da dor crônica, com tratamentos que vão além dos medicamentos e incluem terapias físicas, psicológicas e mudanças no estilo de vida. Entretanto, para que as mulheres tenham acesso a um cuidado adequado, é essencial que o sistema de saúde reconheça as particularidades da dor feminina e combata as barreiras culturais e estruturais que ainda dificultam seu diagnóstico e tratamento.

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