Manaus | 2 de agosto de 2026 | 13:15:33

Mercosul e União Europeia podem selar acordo histórico

Foto:Reprodução

A Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, que começa nesta quinta-feira (5) em Montevidéu, traz grandes expectativas sobre a possível assinatura de um acordo histórico entre o bloco sul-americano e a União Europeia (UE), após 25 anos de negociações. O tratado de livre comércio, que se arrasta desde a Cimeira de 1999, pode finalmente ser fechado, com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, e do comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, sinalizando um avanço significativo.

O acordo tem raízes na resposta da União Europeia à proposta dos Estados Unidos de criar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) em 1994. As negociações, no entanto, sofreram diversas interrupções, incluindo a resistência de líderes sul-americanos à Alca e as pressões protecionistas de países como a França. Embora um tratado tenha sido concluído em 2019, ele ainda não foi ratificado devido à oposição de setores europeus, particularmente agrícolas, que temem a concorrência do agronegócio brasileiro.

Apesar desses desafios, o governo brasileiro está otimista quanto à possibilidade de fechar o acordo, especialmente diante das pressões externas de um mundo cada vez mais protecionista e com a ascensão de figuras como Donald Trump. O acordo é visto como uma solução para os interesses comerciais de ambos os blocos, com a UE buscando acesso ao mercado sul-americano e o Mercosul tentando expandir seu agronegócio na Europa.

A possibilidade de ratificação do acordo ainda depende da aprovação pela Comissão Europeia e pelo Parlamento Europeu, mas as negociações avançaram devido à complementaridade das economias dos blocos, com o Mercosul oferecendo oportunidades no agronegócio e a UE na indústria, especialmente a alemã. No entanto, a França, Polônia e Irlanda seguem sendo os principais opositores, o que torna a situação delicada.

Embora o acordo ainda enfrente obstáculos, as expectativas para sua finalização são altas, e muitos veem isso como uma forma de preservar o que resta da era da globalização. O Brasil, por meio de autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin e a senadora Tereza Cristina, também expressa otimismo, mas alerta que, caso o acordo não seja fechado, a questão deve ser considerada encerrada.

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