Manaus | 18 de julho de 2026 | 21:35:02

Menopausa e emagrecimento: entenda como os hormônios impactam o peso das mulheres

A menopausa é uma fase natural na vida da mulher, geralmente iniciada por volta dos 45 anos, mas seus efeitos no corpo vão além dos sintomas clássicos como ondas de calor e irritabilidade. A endocrinologista e especialista em emagrecimento Milene Guirado alerta que cerca de 70% das mulheres ganham peso durante a menopausa, segundo pesquisa do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Essa tendência, segundo a médica, está diretamente relacionada às mudanças hormonais típicas desse período. “Durante a menopausa, a queda nos níveis de estrogênio, progesterona e testosterona afeta diretamente o metabolismo. A redução do estrogênio, por exemplo, favorece o acúmulo de gordura abdominal, especialmente a visceral, que eleva o risco cardiovascular e dificulta o emagrecimento”, explica.

A diminuição da progesterona, por sua vez, também impacta indiretamente na perda de peso. Como esse hormônio está ligado à regulação do sono e ao relaxamento, sua queda pode causar insônia, estresse e irritabilidade — fatores que dificultam a adesão a hábitos saudáveis como a prática regular de exercícios e a alimentação equilibrada.

Milene ainda ressalta que a redistribuição da gordura corporal é um dos principais fatores que contribuem para o incômodo estético e riscos à saúde. Antes da menopausa, o estrogênio auxilia na distribuição da gordura de forma mais homogênea, especialmente nos quadris e coxas. Após a queda do hormônio, a gordura tende a se acumular no abdômen, caracterizando o temido “pneuzinho” que é mais difícil de eliminar.

Desafios e alternativas para emagrecer na menopausa
A médica aponta que, apesar da dificuldade, é possível emagrecer durante a menopausa com uma abordagem correta e multidisciplinar. A combinação entre alimentação focada em ganho de massa magra, exercícios resistidos, como a musculação, e o manejo do estresse é fundamental.

“A terapia de reposição hormonal (TRH) pode ajudar a reduzir o novo acúmulo de gordura abdominal e melhorar sintomas como alterações de humor e insônia. Isso, indiretamente, favorece o emagrecimento. No entanto, ela não é uma solução milagrosa e deve ser prescrita de forma criteriosa”, afirma Milene Guirado.

Para as mulheres que não podem fazer TRH, há outras alternativas terapêuticas, incluindo fitoterápicos, suplementos e intervenções comportamentais. Procurar um endocrinologista especializado é essencial para um plano de tratamento personalizado e eficaz.

Outro fator relevante é o estresse crônico, que eleva os níveis de cortisol, hormônio associado ao acúmulo de gordura abdominal e à compulsão alimentar. “Aprender a gerenciar o estresse e as emoções é tão importante quanto cuidar da alimentação e do exercício físico”, conclui a endocrinologista.

O emagrecimento na menopausa é mais difícil, sim — mas está longe de ser impossível. Com orientação médica adequada, estilo de vida ativo e mudanças sustentáveis, é possível manter o peso sob controle e preservar a saúde nessa nova fase da vida.

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