A maternidade da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), Balbina Mestrinho, está entre as vencedoras do projeto nacional “Laboratório de Inovação em Enfermagem”, com a experiência de parto na água, do Centro de Parto Normal Intra-hospitalar (CPNI). O projeto da maternidade, único da região Norte a participar e ser premiado, é uma das 16 iniciativas que irão receber certificação durante cerimônia de reconhecimento às práticas inovadoras no dia 9 de dezembro, no auditório da Opas, com transmissão virtual.

A premiação, promovida pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), avaliou 24 projetos finalistas, entre eles o projeto “Mudando a forma de nascer no Estado do Amazonas: implantação de parto na água, no CPNI da Maternidade Balbina Mestrinho”.

A diretora da Maternidade Balbina Mestrinho e autora do projeto, Rafaela Faria, classifica a certificação do projeto como uma vitória para a saúde do Estado e um reconhecimento dos esforços dos profissionais que atuam na unidade.

“Essa premiação é motivo efetivamente de muito orgulho, porque foram muitos esforços para que pudéssemos alcançar êxito. Através dessa premiação, todos ganhamos. Ganhou a Secretaria de Saúde, a mulher amazonense e as famílias. Esse prêmio é nada mais do que o reconhecimento dos nossos esforços e principalmente da enfermagem obstétrica, que conseguiu um espaço humanizado para poder desenvolver o seu trabalho da admissão a alta no parto natural”.

Disputa e avaliação – A unidade inicialmente concorreu com outras 329 propostas e, após um seminário realizado em Brasília, em março de 2020, que contou com a participação de 39 projetos, tornou-se finalista.

Na fase final, a maternidade recebeu in loco a visita da comissão de avaliadores do Laboratório de Inovação em Enfermagem, que também visitou outras 12 cidades localizadas em oito estados e no Distrito Federal para conhecer as 24 experiências finalistas. A diretora revelou que a visita da comissão foi positiva, já que os avaliadores puderam conhecer detalhes dos serviços ofertados pela maternidade.

“Eles ficaram muito impressionados. Quando conheceram o projeto como um todo, gostaram muito de todos os detalhes. Então nós estamos carregando tudo com muito orgulho e também como motivação para que continuemos, não só melhorando este serviço, como todos os serviços que estão vinculados à maternidade”.

Desde que foi implantado, em junho do ano passado, o CPNI realiza mensalmente entre 45 e 60 partos em média, uma meta elevada, que sofreu redução durante o período do pico da pandemia devido a suspensão do parto na água por parte do Ministério da Saúde.

De acordo com a direção, a maternidade está retomando o serviço de parto na água, cumprindo todas as medidas de segurança conforme nota técnica emitida pelo Ministério da Saúde e realizando os testes rápidos nas mulheres que desejam um parto humanizado nessa modalidade.

Reestruturação – O parto na água foi implantado em junho do ano passado na maternidade Balbina Mestrinho, após a reestruturação do CPNI. A reforma foi feita a partir de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e o Fundo de Promoção Social e Erradicação da Pobreza (FPS).

A obra foi entregue pelo governador Wilson Lima e consistiu na ampliação do CPNI, de duas para quatro suítes. O espaço tem capacidade para 120 partos por mês. Com a reformulação, além do parto na água, a maternidade implantou também outras modalidades, como o parto de cócoras, parto na banqueta e parto na rede.

Também foi implantado protocolo de atendimento humanizado para estrangeiras, indígenas, quilombolas e surdas. Além disso, os profissionais receberam capacitação para atendimentos em língua espanhola, Língua Brasileira de Sinais (Libras) e tradução do “Juramento do Pai”, durante o Corte do Cordão Umbilical, para o Espanhol e Tukano, que é a língua falada pelo maior número de parturientes indígenas atendidas na maternidade.
A diretora ressalta ainda que, para ampliar a oferta de partos no CPNI, são realizadas parcerias com a atenção básica, inclusive com a vinculação à Casa de Saúde Indígena (Casai).

Iniciativa – O Laboratório de Inovação em Enfermagem tem como função mapear, sistematizar e divulgar experiências inovadoras produzidas pela Enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), na área da gestão de serviços, da atenção à saúde da população, da educação e formação profissional.

O ambulatório permite ter um panorama das estratégias adotadas pelos profissionais da enfermagem ao enfrentar os desafios do sistema de saúde, como a necessidade de ampliar o acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde, de melhorar a capacidade resolutiva dos serviços e da qualidade do cuidado ofertado, além de reduzir custos e gastos em saúde.

FOTOS: Divulgação/SES-AM