O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta segunda-feira (25), que convidará pessoalmente os presidentes dos outros oito países amazônicos para a inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), em Manaus, no próximo dia 9 de setembro.
Segundo Lula, o novo centro é estratégico para enfrentar o crime organizado transnacional que atua na região amazônica, incluindo garimpo ilegal, narcotráfico e contrabando de armas.
“O povo amazônico merece viver livre da violência. Violência que destrói a floresta, envenena as águas, que acaba com o sustento dos pescadores e dos extrativistas, que expulsa indígenas e ribeirinhos, que tira a vida de quem luta pela Amazônia, como Chico Mendes, Dorothy Stang, Bruno Pereira e Dom Phillips”, afirmou o presidente.
Estrutura e cooperação internacional
O CCPI já está em operação desde junho, mas terá a inauguração oficial com presença de autoridades estrangeiras. O centro contará com:
• serviço de inteligência;
• divisões de operações e logística;
• sala de videomonitoramento e gabinete de crise;
• sala de imprensa e equipes integradas.
Além da participação dos países amazônicos, também integrarão o CCPI representantes dos nove estados da Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins).
A Floresta Amazônica abrange 6,74 milhões de km² distribuídos entre nove países: Brasil, Peru, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Guiana, Suriname, Equador e Guiana Francesa. Cerca de 60% do território está em solo brasileiro, onde vivem aproximadamente 50 milhões de pessoas.
Recado aos EUA e defesa da soberania
No discurso, feito durante encontro da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) em Bogotá, Lula criticou a presença de navios de guerra dos Estados Unidos na costa da Venezuela sob o argumento de combate ao narcotráfico. Para ele, a medida é um pretexto para intervenções estrangeiras na região.
“Há muito tempo os países ricos nos acusam de não cuidar da floresta. Aqueles que poluíram o planeta tentam impor modelos que não nos servem, utilizam o combate ao crime organizado como pretexto para violar nossa soberania”, disse.
O presidente reforçou que a preservação da Amazônia deve ser conduzida pelos países que a compõem, em cooperação regional e com respeito à autonomia de cada nação.
Importância estratégica
A inauguração do CCPI marca um novo passo da diplomacia brasileira na Amazônia:
• fortalece a cooperação entre vizinhos amazônicos;
• responde a críticas internacionais sobre fiscalização ambiental;
• cria uma frente regional contra o crime organizado transnacional, que impacta diretamente a floresta.
Para o Planalto, a iniciativa é também uma forma de contrapor a narrativa de ingerência estrangeira, afirmando que a defesa da Amazônia será feita em bloco pelos próprios países da região.





