MANAUS – Mais de dois meses após a tragédia que chocou o Amazonas, o caso do naufrágio da lancha “Lima de Abreu XV” teve um desdobramento decisivo na Justiça. Nesta sexta-feira (24), o juiz Fábio Lopes Alfaia aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu o comandante Pedro José da Silva Gama, acusado de homicídio qualificado.
O acidente, ocorrido em 13 de fevereiro na região do Encontro das Águas, resultou na morte confirmada de duas mulheres e um homem. No entanto, o drama das famílias continua: cinco pessoas seguem desaparecidas nas águas do Rio Negro e Solimões.
“Racha” e Imprudência
Segundo a denúncia do Ministério Público do Amazonas (MPAM), o comandante agiu com dolo eventual — quando se assume o risco de matar. Relatos de sobreviventes pintam um cenário de pânico: a lancha teria saído da Manaus Moderna em alta velocidade e o piloto estaria disputando uma corrida (“racha”) com outra embarcação.
Mesmo diante dos gritos e apelos dos passageiros para que reduzisse a velocidade, Pedro José teria ignorado as advertências. Ao atingir o Encontro das Águas, as ondas invadiram a lancha, que afundou em poucos minutos. A situação foi agravada pela falta de coletes salva-vidas suficientes a bordo.
As Qualificadoras do Crime
O agora réu, que está preso desde 16 de março, responderá por homicídio com três qualificadoras:
Motivo fútil (pela disputa de velocidade);
Perigo comum (colocando todos a bordo em risco);
Recurso que dificultou a defesa das vítimas.
Buscas Intermitentes
Enquanto o processo avança nos tribunais, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mantém as buscas pelos cinco desaparecidos. O trabalho agora ocorre de forma intermitente, duas vezes por semana, com o apoio de drones e sonares para varredura do leito do rio. Não há prazo para o encerramento oficial das operações, em respeito às famílias que ainda aguardam por respostas.








