“Ele é possessivo, essa é a palavra”, diz Jane em sua primeira entrevista concedida com exclusividade ao programa Fantástico. A vendedora foi espancada até o rosto ficar deformado pelo namorado, Jonas Amaral.

“Ele é possessivo, essa é a palavra”, diz Jane em sua primeira entrevista concedida com exclusividade ao programa Fantástico. A vendedora foi espancada até o rosto ficar deformado pelo namorado, Jonas Amaral

A vendedora Jane Cherubim, de 36 anos, falou ao Fantástico na primeira entrevista concedida após ser espancada e abandonada na estrada pelo então namorado Jonas Amaral, de 34 anos. Ela contou detalhes de como era o relacionamento entre os dois.

O caso aconteceu no dia 4 de março deste mês no distrito de Pedra Menina, em Dores do Rio Preto, Região do Caparaó, no Espírito Santo. A vítima foi localizada pelos irmãos e levada para um hospital em Espera Feliz, em Minas Gerais, mas devido a gravidade foi socorrida para Carangola, onde ficou seis dias internada.

A entrevista foi concedida antes de ser encontrado um corpo, identificado pela família como sendo o de Jonas , em um cafezal próximo a Forquilha, na manhã deste sábado (23). Dela também participou o irmão da vendedora, Salvador Cherubim, o enfermeiro-chefe que a atendeu quando chegou a hospital em Espera Feliz, Anazi Júnior Portilho, e o delegado Ricarte Teixeira.

CUIDADO E OBSESSÃO

Jane contou que Jonas era uma pessoa atenciosa no início. Com o tempo, no entanto, o cuidado se transformou em obsessão. “Fazia tudo, tudo, tudo, tudo. Tudo o que você podia imaginar, ele fazia para mim. Se eu deixasse cair uma coisa no chão, ele já pegava aquilo. Se eu olhasse pra aquela bola, ele já sabia que eu queria a bola e já trazia até mim. Dava seis e meia eu saía do serviço, seis e vinte ele tava na porta. Ele é possessivo, essa é a palavra certa”, declarou.

A VIDA DO CASAL

Ela vendedora de lojas e ele vendedor de carros. Ela é mãe de dois filhos, e ele de um, ambos de casamentos anteriores em que são separados. Eles se conheceram em um bar, em outubro de 2017. “Ele sempre deixou isso bem claro pra mim, que ele sempre me olhou na rua e sempre falou: ‘ela vai ser minha’”, relembrou.

O SINAL DE ALERTA

Ela contou que com um ano e quatro meses de namoro veio um sinal de alerta: uma agressão verbal. “Toda vez que ele bebia muito, ele ficava descontrolado, desequilibrado… Nesse dia ele me humilhou demais, me humilhou muito, muito, muito mesmo… E naquele dia eu falei: acabou”. Jane até quis terminar a relação, mas Jonas prometeu mudar, até que veio a agressão.

O DIA DA AGRESSÃO

Os então namorados estavam fazendo trabalho temporário em um bar no distrito de Pedro Menina, em Dores do Rio Preto, no Caparaó capixaba. Jane contou o que os dois discutiram por causa de uma foto. “Isto foi a noite toda: quero uma foto, quero uma foto. Eu não tirei”, relatou. O casal saiu do bar, como ficou registrado nas câmeras de segurança. Jonas decidiu desviar o caminho. “Quando ele subiu eu perguntei para ele: ‘Onde você vai?’ E foi onde ele me respondeu: ‘Vamos lá em cima tirar a foto que você não tirou com vergonha de mim’. Ele subiu muito agitado e correndo muito”, contou.

MOMENTO

Depois que deixaram o trabalho, eles percorreram cerca de três quilômetros até a comunidade de Forquilha do Rio. Com medo do que pudesse acontecer, Jane conseguiu desligar o carro e jogou a chave fora. Foi então que ela começou a ser espancada. “Nisso ele me jogou para fora do carro com os pés. Ele chutava muito, e eu falei pra ele: ‘Você vai me matar’. E ele respondeu: ‘É isso mesmo. Eu vou te matar.’ Então, a partir daí eu não lembro de mais nada, não lembro”, disse.

O PIOR

A vendedora passou cerca de seis dias internada no hospital, em estado grave. “O mais difícil foi não enxergar. Não me lembro se foram três ou quatro dias sem enxergar. E eu lembro de algo escorrer muito pelo meu rosto. Pra mim era lágrima, mas não, era sangue. E ver minha mãe muito aflita também doeu demais”, desabafou.

SALVA PELOS IRMÃOS

Jane foi salva pelos irmãos, que a encontraram desacordada no meio da estrada. “Seminua, com a cabeça no meio da pista, muito ensanguentada, muito machucada. Aí foi um desespero total”, lembra Salvador Cherubim, irmão da vítima.

DESESPERO

O enfermeiro-chefe do hospital onde ela foi internada, Anazi Júnior Portilho, contou como foi o momento da chegada da vendedora. “Estava com escoriações pelo corpo todo, não abria os olhos, estava inconsciente, muito ferida, muito machucada mesmo”, explicou.

APÓS A AGRESSÃO

Minutos após a agressão, Jonas Amaral ainda mandou um áudio para a mãe da namorada. “Eu estava no bar lá trabalhando, pedi pra ir lá perto de mim, ela não quis, pra fazer desfeita da minha pessoa. E ela tá aqui fingindo que é não sei o quê, ela tá desmaiada no asfalto. Eu cansei, Dona Maria, eu cansei, fiz de tudo pra vocês. Cansei dessa vida hipócrita minha”, falou no áudio.

O advogado de Jonas, Osmar Aarestrup, declarou ao Fantástico que ele nunca se envolveu em confusão e que acabou perdendo a cabeça. “O Jonas ligou dizendo que tinha feito uma besteira e que estava arrependido de ter feito aquele, cometido esse tipo de crime, e como todo mundo conhece na cidade, o Jonas, nunca brigou em lugar nenhum, foi sempre uma pessoa exemplar, mas perdeu a cabeça”, lembrou Aarestrup.

CASO SEMELHANTE

A Polícia Civil acredita que a motivação do crime seja semelhante a muitos casos de violência contra a mulher, quando o companheiro não aceita a separação. “Jane já estava terminada com ele e eles estavam em um processo de separação. Acabou gerando um transtorno no autor, que acabou cometendo esse crime bárbaro”, declarou o delegado responsável pelo caso, José Maria Simão.

Ao ser questionada sobre como será daqui para frente, Jane desabafa emocionada: “Ainda estou em estado de choque. Tenho dois filhos, preciso trabalhar, mas eu estou me sentindo sem chão.”

Fonte: G1; Gazeta Online

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