Manaus | 4 de junho de 2026 | 09:02:14

Ipaam autoriza transporte de quelônios criados em manejo comunitário para comercialização em Carauari

Com a permissão inédita, mil quelônios manejados por comunidades da RDS Uacari poderão ser vendidos legalmente

Pela primeira vez, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) autorizou o transporte de quelônios criados em manejo sustentável para fins de comercialização. A autorização, assinada nesta segunda-feira (05/05), contempla mil animais das espécies tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) e tracajá (Podocnemis unifilis), criados por comunidades ribeirinhas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, em Carauari, a 788 km de Manaus. Os animais pertencem a três comunidades ligadas à Associação dos Moradores Agroextrativistas da RDS Uacari (Amaru), e foram criados ao longo de seis anos, em cativeiro, a partir de ovos manejados legalmente.

A iniciativa segue as resoluções do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Cemaam), que regulamentam as áreas autorizadas e os critérios técnicos para licenciamento. A autorização foi formalizada por três documentos assinados pelo diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço. O transporte será realizado por via fluvial, no barco Amaru, com itinerário entre as comunidades de Manarian, São Raimundo, Vila Ramalho e Xibauazinho, às margens do rio Juruá. Todos os animais serão identificados com lacres e organizados em lotes, sob a responsabilidade do gestor da RDS Uacari, Gilberto Olavo Costa de Oliveira.

Segundo o coordenador da Gerência de Fauna do Ipaam, biólogo Marcelo Garcia, o manejo segue critérios que permitem às comunidades que monitoram tabuleiros por pelo menos cinco anos obter uma cota de criação. No caso da Amaru, os quelônios foram monitorados desde o nascimento até atingirem o tamanho mínimo para comercialização legal. A associação deverá apresentar, após a venda, um relatório com peso, identificação e comprovantes de comercialização dos animais. O uso indevido da autorização poderá resultar em penalidades e cassação do documento.

A medida representa um avanço na valorização das práticas tradicionais sustentáveis e no incentivo à conservação da fauna silvestre. De acordo com Gustavo Picanço, esta é uma conquista das comunidades que há anos protegem os tabuleiros — áreas de desova dos quelônios — e que agora colhem os frutos de um trabalho baseado no conhecimento local, na legalidade e na sustentabilidade ambiental.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

Espaço Publicitário

Últimas postagens