O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizou nesta terça-feira (3) o encontro “Agenda 2030 e ODS 18: Construindo Futuros Racialmente Justos e Inclusivos”, reunindo pesquisadores, ativistas, jornalistas e representantes do movimento negro. O evento teve como foco o debate sobre a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 18, dedicado à igualdade étnico-racial, uma proposta que o Brasil levou à Organização das Nações Unidas (ONU).
Luciana Mendes Santos Servo, presidenta do Ipea, destacou na abertura do evento que o Brasil está perdendo parte de seu potencial econômico devido ao racismo. “Enfrentar essas questões inclui fazer valer as legislações e implementar os programas que já estão desenhados para combater o racismo”, afirmou.
A Agenda 2030, lançada pela ONU em 2015, inicialmente consistia em 17 ODS voltados para o desenvolvimento sustentável, mas o Brasil incluiu o ODS 18, focado na igualdade étnico-racial, após a implementação de políticas internas e no cenário de maior conscientização global sobre o tema. O lançamento oficial dessa nova meta aconteceu durante o G20 Social, no Rio de Janeiro.
No encontro, especialistas discutiram o impacto negativo do racismo na economia nacional. Um dos pontos abordados foi como o Brasil pode perder uma parte significativa de seu Produto Interno Bruto (PIB) se continuar ignorando a desigualdade racial. Para que esse problema não se perpetue, foi enfatizada a necessidade de uma ação governamental forte e qualificada.
Ester de Sena Carneiro, assessora de clima e racismo ambiental do Geledés – Instituto da Mulher Negra, reforçou a importância de investimentos para melhorar a qualidade de vida da população afrodescendente, destacando que o país precisa garantir acesso igualitário a melhores oportunidades de emprego e empreendedorismo. “Se o Brasil deseja avançar em seu desenvolvimento, será crucial investir em melhoramento econômico das populações afrodescendentes”, disse.
A professora Joice Souza Soares, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE), apontou que uma mensuração mais precisa sobre a realidade racial do Brasil é essencial para implementar políticas públicas eficazes. “Conhecer as características dos territórios é fundamental para formulação de políticas públicas”, afirmou, destacando a importância dos dados como ferramenta para a reivindicação de melhorias sociais.
Tatiana Dias Silva, diretora do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial do Ministério da Igualdade Racial (Senapir/MIR), sublinhou a necessidade de políticas públicas específicas e interligadas para a população negra, abrangendo áreas como economia, educação, saúde, moradia e meio ambiente. “Políticas de igualdade racial são todas as políticas”, afirmou. “Precisamos desmontar a engrenagem que nos colocou sempre na base da pirâmide, afastando-nos dos direitos e bens por tanto tempo”.
O evento foi um marco importante para discutir o futuro do país no contexto das metas globais de desenvolvimento, colocando o Brasil em uma posição de destaque em fóruns internacionais sobre direitos humanos e sustentabilidade. O Ipea se comprometeu a contribuir com o cumprimento do ODS 18 por meio de monitoramento e avaliação das ações contra o racismo no país.






