Antes considerada uma condição associada ao envelhecimento, o infarto do miocárdio vem afetando cada vez mais jovens no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de internações de pessoas com menos de 40 anos cresceu 180% desde o ano 2000. O índice, que era de menos de 2 casos por 100 mil habitantes, chegou a quase 5 em 2024.
Especialistas atribuem esse aumento à mudança nos hábitos de vida da população jovem. Fatores como obesidade, sedentarismo, alimentação ultraprocessada, tabagismo e o uso de substâncias como drogas ilícitas e anabolizantes têm acelerado o processo de envelhecimento precoce do organismo.
“O coração sente esse impacto. Jovens estão expostos cada vez mais cedo a comportamentos de risco e a uma rotina estressante e inflamatória, o que pode comprometer a saúde cardiovascular ainda na juventude”, afirma a cardiologista Mariana Soares.
Além dos fatores físicos, o estresse crônico e os transtornos de saúde mental também contribuem para a vulnerabilidade cardíaca. A soma de noites mal dormidas, jornadas intensas de trabalho ou estudo, e pouca atividade física cria um cenário perigoso e pouco percebido pelos próprios jovens.
A recomendação dos especialistas é clara: atenção à alimentação, prática regular de exercícios, acompanhamento médico e abandono de hábitos nocivos. “Infarto não escolhe idade quando há um ambiente propício para isso”, alerta Mariana.
Com a tendência de envelhecimento precoce cada vez mais evidente, a prevenção se torna essencial — e precisa começar bem antes dos 40.






