Uma mulher de 78 anos morreu após realizar um procedimento estético facial em uma clínica de Santa Isabel, na Grande São Paulo. O responsável pelo atendimento, que se apresentava como biomédico, foi preso e, segundo a polícia, não tinha autorização para exercer a profissão.
Como tudo aconteceu
No dia 25 de novembro, Maria Ribeiro Baptista decidiu fazer um procedimento estético sem avisar a família. Na véspera, uma de suas filhas chegou a ver no celular da mãe uma confirmação de atendimento na clínica de Jonatas Davi Rodrigues, que se apresenta comercialmente como Pietro Rodrigues. Preocupada, a filha pediu que ela não prosseguisse sem antes consultar a outra irmã, que é médica. Maria afirmou que cancelaria o agendamento.
Apesar disso, no dia marcado, a idosa desmarcou um compromisso com o filho e, horas depois, surgiu com hematomas no rosto. Questionada, disse que havia batido em um pilar. O filho estranhou e avisou a irmã, que desconfiou que a mãe tinha realizado o procedimento. No dia seguinte, Maria confirmou que passou pela intervenção e contou ter recebido dois medicamentos, um corticoide e outro para dor.
Quadro clínico piora e idosa morre
Dois dias após o procedimento, Maria começou a sentir fortes dores no estômago e a vomitar. Ela foi levada pela filha à UPA de Santa Isabel, já em parada cardiorrespiratória. Mesmo com manobras de reanimação, não resistiu. A causa da morte ainda não foi definida.
A família registrou boletim de ocorrência e, após os primeiros levantamentos, a polícia passou a tratar o caso como homicídio doloso, quando há intenção de matar.
Procedimento de R$ 1.500 e substância suspeita
De acordo com a delegada Regina Campanelli, o falso biomédico afirmou que a idosa procurou a clínica para fazer um preenchimento de “marionete”, que suaviza linhas que vão do canto da boca ao queixo. O procedimento custou R$ 1.500.
Os investigadores acreditam que Jonatas/Pietro aplicou ácido hialurônico em Maria. No entanto, conversas obtidas no agendamento apontam que o serviço contratado previa a inserção de fios na pele, técnica que ele não poderia realizar sem formação e registro adequados. O resultado da perícia deve esclarecer o que foi realmente aplicado.
Profissão falsa e atuação irregular
Nas redes sociais, o homem de 31 anos se apresentava como biomédico em perfis pessoais e da clínica. Porém, o Conselho Regional de Biomedicina da 1ª Região afirmou que ele não possui registro e, portanto, não poderia atuar nem prescrever medicamentos, como fez com a idosa.
Nesta semana, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na clínica e na casa do suspeito, apreendendo medicamentos e equipamentos usados nos atendimentos. Embora não estivesse no local no momento das buscas, ele se entregou horas depois.
Agora, os investigadores buscam entender como ele conseguia adquirir produtos e substâncias restritas a profissionais habilitados.






